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26 de Abril de 2014 - 06:00

Por EQUIPE IGREJA EM MARCHA Leigos católicos

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Amanhã, o Papa Francisco oferecerá aos nossos altares dois santos: São João Paulo II, do qual nossos leitores foram contemporâneos e dispensa apresentações, e Angelo Giuseppe Roncalli, com o nome de João XXIII. Tinha sido eleito no dia 28 de outubro de 1958 e marcou a posse para apenas uma semana depois, o que para o cerimonial do Vaticano era uma tarefa quase impossível para a época. Mas ele insistiu no dia 4 de novembro, e assim foi. Acontece que, nesse dia, a Igreja comemora a festa de São Carlos Borromeu, santo pouco conhecido pela maioria dos fiéis.

O mistério da escolha só se desfez quando, logo no início de seu pontificado, ele convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II: Carlos Borromeu foi o grande incentivador do Concílio de Trento e autor de muitos de seus documentos importantes que provocaram as grandes reformas de que na época a Igreja precisava. Seguindo os mesmos passos, João XXIII provocou e preparou um concílio que trouxe para a Igreja atual um grande sopro de renovação, buscando a radicalidade da vivência evangélica da caridade nos tempos atuais. Desde então, o Papa se sabia doente gravemente, de tal forma que, na realização do concílio em si, só lhe coube abrir os trabalhos antes de morrer.

Ofereceu a Deus seus sofrimentos pelo êxito da empreitada e dedicou-se de forma tão intensa à sua preparação que todos os documentos nele aprovados são fortemente marcados pelo seu magistério. Escreveu, em seu curto pontificado, oito encíclicas de forte conteúdo, mais pastorais que dogmáticas, que iluminaram muito os padres conciliares e os documentos conciliares. Duas delas, Mater et Magistra (1961) e Pacem in terris (1963), são referências importantes para a vida da Igreja, mais ainda para o agir dos leigos até hoje, e provavelmente o serão por muito mais tempo ainda. O Papa Francisco dispensou um milagre para sua canonização. Foi oportuno, para ajudar a desfazer a visão apenas de milagreiro dos santos. Em João XXIII, o mais forte elemento de santidade é o testemunho da virtude em grau heroico.

Sua dedicação à Igreja, seu abandono nas mãos de Deus e sua simplicidade levaram a um papado que marcou muito seu rebanho. Chamou muita atenção também pela busca do diálogo e fraternidade com outras religiões, de quem nos convocou para sermos irmãos. Para nós leigos, creio que a maior celebração que podemos fazer para ele é retomar a leitura do seu magistério, suas encíclicas e do magistério do Vaticano II, refletir muito sobre eles e incorporá-los cada vez mais às nossas práticas cotidianas. Fazer cada vez mais vivo um Papa cuja maior característica foi de ter sido sumamente bom.

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