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06 de Julho de 2014 - 06:00

Por MARIO EUGENIO SATURNO - TECNOLOGISTA SÊNIOR DO INPE

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Diz o ditado que "se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia", mas isso é lembrado quando não se quer ouvir o conselho! E há também muito palpiteiro. No geral, as pessoas pedem conselhos simplesmente porque quem está fora do problema enxerga situações e soluções melhor porque está de fora. Por isso mesmo a dificuldade em se dar conselhos a si mesmo. Uma nova pesquisa publicada na revista "Psychological Science" mostra o trabalho dos psicólogos sociais Ethan Kross, da Universidade de Michigan, e Igor Grossmann, da Universidade de Waterloo, em Ontário, em que se estudou o conflito de interesses envolvendo "dar conselhos" a si mesmo e encontrou um modo de lidar com isso.

No estudo, solicitou-se aos participantes do estudo para refletirem sobre um conflito de relacionamento próprio ou de outra pessoa, como a infidelidade de cônjuges com um amigo próximo. Os participantes foram convidados a pensar sobre esse problema em primeira pessoa e depois em terceira pessoa e oferecer conselhos sobre como resolver o problema. Os resultados mostram claramente que, quando as pessoas pensam sobre os problemas como sendo dos outros, elas têm mais sabedoria ao resolver um problema que não é seu, um preconceito que os pesquisadores chamam de "Paradoxo de Salomão", por causa do rei sábio do Velho Testamento, que era conhecido por sua sabedoria, mas que ainda falhava na hora de tomar decisões pessoais.

Esse estudo teve como base outra pesquisa de Kross que observou o impacto que o falar de si mesmo tem sob o autocontrole. Em um estudo recente, Kross e seus colaboradores descobriram que as pessoas que falavam de si como se fossem outra pessoa relatavam menos vergonha e preocupação do que aqueles que falavam para si usando a primeira pessoa. Eles também se demonstravam mais confiantes e persuasivos e menos nervosos.

Fazer um distanciamento como usar a terceira pessoa para referir a si mesmo dá a capacidade de raciocinar melhor sobre os próprios problemas. E, para Kross e Grossmann, é fácil fazer esse distanciamento de si mesmo. Na pesquisa, foi solicitado aos participantes a usar o próprio nome e outros pronomes que não fossem em primeira pessoa, por exemplo, em vez de dizer "por que estou me sentindo assim?", dizer "por que está se sentindo assim?".

Grossmann e Kross também examinaram como a idade afeta a capacidade das pessoas na hora de tomar decisões com sabedoria. E constataram que a crença de que a sabedoria vem com a idade não é verdadeira; quando se trata do raciocínio sobre os próprios problemas pessoais, as pessoas mais velhas podem ter mais sabedoria quando dão conselhos aos outros, mas não necessariamente quando precisam decidir o que fazer. Porém, se adotarem essas técnicas de autodistanciamento, elas podem ser tão eficazes quanto as pessoas mais jovens para eliminarem esta lacuna na sabedoria.

Em outra pesquisa anterior, os mesmos pesquisadores, buscando os caminhos para aumentar a sabedoria das pessoas, já haviam concluído que o distanciamento é muito importante assim como a humildade. Não se torna mais sábio sem reconhecer-se leigo, quem já se julga sábio não fica mais sábio, estaciona.

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