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04 de Junho de 2014 - 06:00

Por ANETE NEGREIROS ANDRADE Diretório Nacional do PT OLEG ABRAMOV Vice-presidente do PT de Juiz de Fora

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Juiz de Fora já foi a cidade mais importante de Minas Gerais. Pioneira na industrialização, era chamada de "Manchester Mineira". Para alguns, o momento de glória continua vivo. Mas a realidade da cidade e da região reflete, ainda, seu processo de derrocada. Faz um tempo que a cidade não vive momentos gloriosos. Na história recente, vivemos uma economia estagnada e assistimos a um processo de empobrecimento da Zona da Mata. Na política, após a redemocratização, vimos os mesmos grupos se revezarem no poder municipal. As eleições de 2012 expressaram a busca pelo novo, é bem verdade. Mas a expectativa logo se frustrou, e a novidade revelou ser apenas a nova cara de velhas práticas.

Tal como o modo tucano de governar, a atual Administração manteve a lógica privatista da saúde (repasse de equipamentos de saúde pública para serem gestados por entidades privadas). Manteve a aposta no crescimento econômico através da vinda de grandes empresas, com isenções e concessões, sem exigências claras de contrapartida. Não ousou reverter o processo de desmonte das políticas de programas sociais. Promessa de campanha, o piso salarial dos professores da rede pública não foi cumprido, fato que levou a categoria a deflagrar greve. A valorização dos servidores públicos é ainda uma pauta sem resposta.

Trouxe de seu a aposta em um tipo de desenvolvimento urbano: uma região central populosa, enquanto as áreas periféricas, destinada aos pobres, permanecem sem infraestrutura, a exemplo da aprovação da alteração da Lei de Uso e Ocupação do Solo. Manteve a mesma lógica na implantação do programa federal "Minha casa, minha vida", com concentração de moradias em lugares sem equipamentos sociais próprios.

A reedição da mesma política, governo após governo, não sinaliza a possibilidade de reconstrução dos tempos de destaque econômico e político de Juiz de Fora. A cidade precisa ser reinventada, e a política precisa ganhar novos rumos. Esse horizonte só é possível com a participação cidadã, da qual deve se construir o projeto coletivo e democrático de gestão da cidade, orientada por políticas sociais, universais e transformadoras, com garantias e afirmação de direitos. E uma aposta criativa na construção de novas formas de crescimento e desenvolvimento econômico. Sem isso, Juiz de Fora, a Princesinha de Minas, será só uma lembrança!

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