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18 de Maio de 2014 - 06:00

Por VANDERLEI TOMAZ Colaborador

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Não. Você está enganado. A base do Brasil na Copa não é o Cruzeiro, último campeão brasileiro e mineiro. Do Cruzeiro não saiu nenhum jogador para o escrete canarinho. Do Ituano, campeão paulista, também não. E nem do Flamengo, que ganhou o carioca. A base é o Chelsea, time inglês. Gostaria que alguém me informasse: alguma equipe que tenha vencido o último campeonato nacional do seu país (dentre os que disputam o Mundial) deixou de ceder algum jogador para a Seleção que vai à Copa? No Brasil, aconteceu. Torcedores de grandes clubes brasileiros nunca viram a maioria dos convocados vestindo as camisas de seus times. Muitos foram cedo jogar fora do Brasil. Aprenderam rapidamente os novos idiomas e costumes. Construíram famílias, trocaram de países e não chegaram a atuar por um grande clube nacional na terra natal em campeonatos de primeira divisão.

Houve um tempo em que, ao sair uma convocação, os ânimos ficavam acirrados para saber quem daria mais jogadores ao escrete canarinho: Santos? Botafogo? Flamengo? São Paulo? Ao ver a lista do Felipão, a pergunta é outra: de onde vieram mais jogadores: da Alemanha? Da Itália? Da Espanha? Ou da Inglaterra? Você já assistiu a alguma partida do Shakhtar? Do Wolfsburg? Do Toronto? Passe a assistir. Esses times deram jogadores para a Seleção Brasileira.

Houve um tempo em que, ao ver a fotografia da Seleção (jogadores em pé e agachados), a gente era capaz de dizer os nomes de todos eles (do goleiro ao ponta-esquerda) e até seus números de camisas. Hoje, me sinto incapaz de identificar mais da metade do time. Houve um tempo em que olheiros do treinador da Seleção nacional (quando não era o próprio treinador) ficavam nas cadeiras numeradas dos principais estádios do país em domingos de clássicos regionais e anotavam suas observações sobre este ou aquele jogador.

Se, no início da partida, a presença deles era anunciada no vestiário, os jogadores "comiam a grama" para aparecerem bem em campo e serem lembrados na lista do técnico (ou "professor", como alguns preferem ser chamados). Os olheiros ainda existem. São estrangeiros assistindo à Copa São Paulo de Futebol Júnior e identificando futuros craques que podem ser comprados a preço de banana (sem trocadilho, por favor) para atuar no futebol europeu. Podendo, inclusive, serem naturalizados lá e virem a defender as seleções de seus novos países.

Hoje, basta uma TV por assinatura em casa que permita acompanhar os principais jogos de clubes europeus e um bom contato com os patrocinadores para que fique fácil fazer uma boa lista de convocados. É a globalização no futebol. Ficou previsível. Quem fez o álbum de figurinhas da Copa já sabia. A análise foi parecida. As perguntas que não querem calar: quantos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro foram convocados pelas seleções dos seus países? Considerando as convocações realizadas pelas 32 seleções nacionais, quantas figurinhas do álbum deverão ser substituídas? O Robinho (que fazia parte da lista dos convocados pelo álbum oficial da Fifa) ficou de fora. Alguém terá que se explicar para o editor. Ou será necessário acionar o Procon?

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