No último domingo, todo o Brasil acordou estarrecido com uma notícia: uma casa noturna, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, lotada de jovens, se incendiara. Num primeiro momento, falava-se em pelo menos cem jovens mortos, número que depois passaria para mais de 230. À dor de centenas de famílias se soma a de milhões de outras por compaixão, solidariedade e medo. Embora as investigações ainda estejam em curso, já estão patentes o descumprimento de regras mínimas de segurança por parte dos empresários, a conduta perigosa de um músico e a omissão de fiscalização por parte do Poder Público. Condutas negligentes e criminosas que descaracterizam ser um acidente o fato responsável por tanta dor e sofrimento. A nossa consciência cristã cobra de nós uma reflexão, ainda que feita em meio a lágrimas.
Primeiro: a compaixão deve ser permanente, não apenas no momento do choque. É preciso que cresça a consciência de que o que aconteceu não atingiu apenas a centenas de jovens e famílias da remota Santa Maria. Aconteceu a todos nós.
Segundo: de maneira organizada, em nossas associações e nossos movimentos, devemos buscar ações concretas junto à sociedade para não permitir que a ganância de uns poucos e a leniência do Poder Público acabem com os sorrisos e as vidas de nossos meninos e meninas. Precisamos estar atentos a situações de inseguranças corrigíveis, denunciar e até boicotar quem não zela pela vida, nessas e em tantas outras situações no nosso cotidiano.
Terceiro: manter ações solidárias com os que sofrem no momento, explicitando concretamente nossa comunhão e unidade. Como cristãos, temos que fazer de nossas orações e ações companheiras inseparáveis dos que sofrem, com maior proximidade, a tragédia e contagiar o desespero natural de muitos nesse momento com a esperança cristã. Nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas Deus dos Vivos. Sem descartar a dor da separação e sem deixar de nos indignarmos com as causas evitáveis da mortandade, saber que a última palavra de Deus não é a morte, mas a ressurreição.
Esses jovens não deixaram de existir. Partiram para uma longa travessia ao encontro de um Deus que é Pai e Mãe de todo o amor. Estão imersos agora no coração de Deus, numa vida que não mais acaba, na qual todo o sofrimento é consolado.
Que o nosso agir seja o agir de construtores do Reino que lutam para corrigir as falhas de nossa sociedade, mas sem deixar de ser testemunhas de Jesus ressuscitado, que destruiu a morte em sua cruz e instituiu a vida plena com sua ressurreição.



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