Qual é o valor da ética, do bom-senso e da moral? A resposta é simples: imensurável. Principalmente se considerarmos tais valores como fundamentais para legitimar direitos e garantir a justiça e a igualdade social. Entretanto, o custo desses princípios ficou barateado na última quinta-feira, dia 7/03, quando foi eleito para presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal o deputado Marco Feliciano (PSC).
Essa eleição vem na contramão dos avanços e das conquistas de anos de lutas para a valorização e promoção da dignidade humana, uma vez que o eleito é autor de opiniões e atitudes homofóbicas e racistas - fato amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Essa eleição fere, assim, o objetivo básico da CDHM, cuja principal atribuição é receber e investigar denúncias de violações de direitos humanos e discutir e votar propostas na área.
Deve-se sempre respeitar a diversidade no que tange à opinião e à visão de mundo. No caso do deputado, no entanto, tratam-se de palavras e posturas pautadas em explicações pseudocientíficas ou "espirituais". "Câncer gay", "antepassado amaldiçoado" são interpretações equivocadas, frutos de uma visão distorcida e de um olhar enviesado, capazes de incitar a discriminação, o ódio e o preconceito.
É evidente que não podemos restringir a pauta de discussões sobre direitos humanos e minorias a questões sexuais e raciais. Há uma infinidade de demandas, e todas devem receber a mesma atenção e respeito por parte dos legisladores. Mas é fundamental que todos os cidadãos tenham, na prática cotidiana, não apenas os mesmos deveres, mas os mesmos direitos. Quando prevalecem a integridade, a honradez e o bom-senso, esse trabalho em prol da igualdade se fortalece.
Não é justo - e muito menos coerente - jogar por terra o que as manifestações pessoais e coletivas construíram ao longo dos anos, para que possamos romper paradigmas e criar novas formas de movimentar e descobrir possibilidades de relacionar e conviver. Não aceitar a eleição do deputado Feliciano é, no mínimo, um ato humanitário, a favor da vida e do amor ao semelhante.



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