Amanhã a Igreja celebra a festa de Pentecostes. Esse nome hebraico significa que a festa se realiza cinquenta dias após a Páscoa. Essas duas festas têm sua origem no judaísmo. O povo hebreu celebrava, na Páscoa, a libertação da escravidão no Egito e, em Pentecostes, a oferta das primeiras colheitas e a promulgação da Lei, dada no Monte Sinai, a aliança de Deus com seu povo. Com o advento do cristianismo, as festas adquiririam novo significado: a Páscoa celebra o mistério da morte e ressurreição de Cristo, e Pentecostes, o dom do Espírito Santo aos discípulos de Jesus, o nascimento da Igreja e sua missão, inaugurando uma nova aliança.
"Pentecostes, assumido pela tradição cristã como plenitude da Páscoa de Jesus, é força capaz de nos fazer compreender e viver em profundidade o projeto universal de vida para todos. Faz-nos enxergar no diferente, e até no estranho, a força da vida divina. A vida nova em Cristo tem força "simbólica", unificadora. Ela supõe abandonar tudo que divide, afasta e cria abismos na convivência humana e ecológica, para abraçar outra norma de vida: o amor que reúne, aproxima e refaz a convivência na humanidade. É o Espírito, força de vida e de unidade, o único capaz de nos conectar com todo o universo e com a fonte de vida." (Vida Pastoral n.284, pág. 48),
A Igreja é sinal de paz, solidariedade, fraternidade, unidade na diversidade num mundo de violência, desonestidade, impunidade, agressividade e guerra. A Igreja, que somos nós, é também instrumento da edificação de uma nova humanidade, testemunha a morte e ressurreição de Cristo e anuncia um novo mundo pelo exemplo de vida de seus membros e pela palavra. Esta, às vezes, profética para denunciar o mal. Edificar nova humanidade é dom do Espírito Santo que precisa de nós para se realizar.
O Espírito Santo continua presente e atuante no mundo de hoje. Muitos são os sinais dessa presença e atuação, muitas vezes despercebidos. É necessário um olhar mais atento, um olhar de fé para reconhecê-los na nossa vida cotidiana, pessoal e coletiva, privada e pública. Quem não experimentou a luz do Espírito Santo no momento de tomar uma decisão importante, sua força e coragem numa hora de dificuldade? Quantos grupos de jovens estão se organizando em ações humanitárias! Quantas pessoas estão consagrando parcela do seu tempo em organizações de defesa da dignidade humana, de respeito aos direitos humanos e de luta contra a miséria e contra a desigualdade social! Todos, vivendo o amor, são movidos pelo Espírito Santo, mesmo sem o saber.
Que a celebração da festa de Pentecostes reavive em nós o dom do Espírito Santo recebido no batismo e seja para nós o que foi para os primeiros discípulos: força para vencer o medo, luz nas decisões, animação e coragem nas nossas lutas e na edificação do "outro mundo possível"!



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