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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

Por DÉBORA FAJARDO Jornalista

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Assistimos, em período recente, a uma reportagem de TV local sobre o rico acervo do Museu Mariano Procópio. O local ostenta peças históricas, artísticas e das ciências naturais que a maior parte das capitais brasileiras não tem. A cidade abriga ainda a Usina de Marmelos, a primeira grande hidrelétrica da América do Sul, além de outros acervos específicos.

Dos anos vividos em Curitiba, e do trabalho junto aos governos municipal e estadual, trazemos muitas lições. Uma delas é a de que vocações turísticas e econômicas de cidades e regiões não surgem do acaso. São trabalhadas e, por vezes, criadas. Sem nenhum atrativo natural, a capital do Paraná, por vários anos, limitou-se a servir de "dormitório" para os turistas que iam ou vinham do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e dos países da fronteira. Descansavam uma noite ali para seguir viagem.

Mas a genialidade de Jaime Lerner e de sua equipe, em três mandatos municipais, tratou de mudar esse perfil. Curitiba poderia, sim, receber turistas para muitos dias, decidiram. Bastava que se criassem condições para isso. Assim, de um terreno baldio, em região desprezada, nasceu o Jardim Botânico, um dos principais cartões postais da cidade. Um problema logo no início foi rapidamente contornado. As crianças da favela vizinha ao local destruíam tudo o que se plantava ali. Foram então convidadas a cuidar das plantas e recebiam um pequeno soldo pelo seu trabalho, em um claro exemplo de interação entre a Administração e a comunidade.

A pedreira Paulo Leminski é outro marco. Abandonada das suas antigas funções, pedreira municipal e usina de asfalto, percebeu-se que ali havia ótima acústica. Transformada em palco para grandes eventos, com capacidade para até 30 mil pessoas, recebeu atrações internacionais, como Paul McCartney e o tenor José Carreras, e grandes nomes da MPB.

Ainda estudante, na pequena cidade do interior, aguardávamos ansiosos a excursão ao Museu Imperial de Petrópolis. Isso nos levou a refletir sobre o fascínio que o Museu de Petrópolis exerce em nossa região e o quase desconhecimento sobre o Museu Mariano Procópio, não só nas pequenas cidades que têm Juiz de Fora como polo regional, mas entre os próprios moradores do município. É certo que o de Petrópolis ostenta a aura de ter sido a residência de verão do imperador. Mas isso não justifica o obscurantismo sobre o acervo local.

Museu fechado é prejuízo cultural e econômico. Foi importante a liberação da verba, pelo Governo federal, para os reparos. Mas impressiona a falta de ações massivas para divulgar o referencial histórico que se tem aqui, não só de uma administração, mas do conjunto de anos e décadas. Turistas de longe e de perto poderiam vir aumentar sua bagagem cultural e impulsionar a economia local. Foi inevitável. Ficamos a conjeturar o que Jaime Lerner e sua turma fariam em Juiz de Fora.

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