É mais que sabido quais são os recursos digitais nos quais é permitido aos usuários o compartilhamento do status (situação) pessoal na internet. Uma vez dispostos estes mecanismos, como blog, Twitter e, o mais influente dos serviços, Facebook, é até estranho alguém esperar privacidade na utilização destes serviços.
Não esqueçamos que a internet, em alguns casos, é como a moda, possuindo também um fluxo de transformações. Um exemplo recente é o Orkut, que perdeu espaço para o conhecido "Face", mas a questão não se concentra nas ferramentas e em seus benefícios, que são mais que reconhecíveis, e sim no comportamento de seus utilizadores. Com as recentes inovações tecnológicas e sua capacidade de alcance, estes espaços tornaram-se vitrines sociais. Na vitrine, as pessoas se expõem e, nesta situação em que o eu torna-se o principal, eis que surge o fenômeno da valorização pessoal, tão intenso hoje.
O indivíduo não mais se contenta em permanecer em seu bairro, sendo visto pelos amigos de infância ou conhecido na própria cidade. Ele quer agora ganhar o mundo, ser visto e admirado, ou mesmo invejado. Estamos vivendo a década da autopromoção. Na nova configuração social, não mais se pergunta o telefone, e sim se possui conta em algum portal de compartilhamento. Os cartões pessoais, além dos dados já conhecidos, carregam consigo Twitter e afins. A internet e suas ferramentas vão assumindo lugar de destaque e ganhando cada vez mais espaço, ultrapassando outros veículos de comunicação que um dia tiveram seu prestígio.
Sair de sua zona comunitária e percorrer o mundo, independentemente do serviço digital, é romper com o concreto, burlar a censura e chegar a um mundo de possibilidades. Nesse novo ambiente, o eu torna-se propagador de si, mesmo o "promotor" não estando, muitas das vezes, ciente dessa busca, que é íntima.



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