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13 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Denúncia de advogada não pode morrer entre tantas informações, pois aponta para o uso das ruas para outros interesses

Por Tribuna

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Em uma de suas muitas entrevistas nestes últimos dias, o advogado Jonas Tadeu, que defende o jovem Caio da Silva Souza, suspeito de ter acendido o rojão que matou o cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, disse que os jovens são pagos para participar de manifestações e, a cada quebradeira, recebem R$ 150. Falou do milagre, mas esqueceu o santo, não dando o nome do patrocinador. A afirmação é extremamente grave, pois aponta para um novo componente das ruas: grupos financiados para ampliar a baderna e, de uma certa forma, desestabilizar as instâncias de poder. É vital saber a mando de quem essas milícias - talvez seja esse o termo mais adequado - estejam operando.

A morte do cinegrafista abriu um novo campo de discussão e mostrou aos governos, federal, estadual e municipal, que não dá para ficarem alheios ao que está ocorrendo. Ao mesmo tempo, sinalizou para o Congresso a necessidade de medidas mais duras contra aqueles que ultrapassam o limite, sob a égide de uma cultura de violência. Protestar é da essência do jogo, mas quando essas manifestações ocorrem sem preocupação com os danos, é preciso repensar a questão.

O que se fala, hoje, é sobre a elaboração de leis contra atos de terrorismo. No entanto, antes de o Congresso querer resolver tudo à base de novas leis, é preciso avaliar o tema em profundidade. Em nota para o jornal "O Globo", o jurista e especialista em segurança Walter Maierovitch adverte que "uma das maiores dificuldades é definir o que se enquadra em terrorismo. Não há definição das Nações Unidas, e o mundo pede por isso. Mas uma das características do terrorismo mais aceita é que a ação direta nunca é a principal: a finalidade é sempre outra e maior". A seu ver, a despeito de jogarem bombas e coquetéis molotov, atos claramente terroristas, os black blocs estão mais para milícia armada. Não têm uma causa. Se tirarem as manifestações, eles somem. Neste caso, o Código Penal resolve. Basta aplicá-lo com eficiência. E aí, sim, temos um problema.

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