Logo após tomar posse na Câmara Federal, na última quinta-feira, a deputada Margarida Salomão (PT-MG) admitiu que vai procurar o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), a fim de manter um contato institucional. É bom lembrar que ambos mediram forças no primeiro e no segundo turnos das eleições municipais, com vitória do peemedebista. Esse dado, no entanto, apenas engrandece a postura da parlamentar, uma vez que aponta para um novo cenário de relações políticas em Juiz de Fora. Se, na campanha, defenderam suas ideias e se criticaram mutuamente, a situação agora é outra. Ambos têm um papel institucional, no qual a cidade deve ser a prioridade.
Nos últimos anos, Juiz de Fora tem ficado a reboque dos fatos, inclusive pela falta de diálogo entre as lideranças. Os palanques não são desmontados, e o discurso se mantém como norma de distanciamento. Embora o mandato seja para defender as demandas do estado, os parlamentares devem priorizar suas bases, pois, só assim, justificam os votos que receberam. O Triângulo Mineiro, que continua sendo o antípoda permanente de Juiz de Fora quando se trata de referências, tem líderes de todos os matizes ideológicos, mas na hora de pressionar o Governo estadual ou a União, o discurso se unifica.
Esse, talvez, tenha sido um dos problemas mais sérios de Juiz de Fora: a política de compartimentos estanques, na qual cada um cuida do seu espaço, sem unir forças para as demandas municipais. E, agora, são três deputados com reduto eleitoral no município: Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e Margarida Salomão (PT). Mesmo em partidos adversários, devem fechar em torno da cidade, que precisa de interlocução nas diversas instâncias de poder. O prefeito tem feito a sua parte, mas com mandato à mão e espaço tanto em Belo Horizonte quanto em Brasília, os parlamentares são parte fundamental na busca do desenvolvimento.



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