As 16 mortes registradas até ontem na Região Serrana do Rio de Janeiro, fruto das águas de março que fecham o verão, são resultado da facticidade, mas é possível avaliar que o homem continua sendo o principal responsável pelas tragédias, à medida que não toma providências para evitá-las; e, quando age, o faz de modo muito lento, mesmo sabendo que, em todos os anos e no mesmo período, o clima será o mesmo. Há três anos, a mesma região teve quase mil mortes em função dos rios que transbordaram e das encostas que desceram. Foram implantados alarmes - que até funcionaram na madrugada de ontem -, mas o processo de reconstrução ainda está em andamento. Uma das razões foi o escandaloso uso do dinheiro público para outras demandas, algumas delas de cunho pessoal.
O Brasil ainda tem a cultura da pouca pressa. As providências demoram a ser tomadas, e sua execução é uma novela. No ano passado, o Japão passou pela tragédia de um tsunami. Meses depois, as ruas engolidas pelas águas do mar estavam reconstruídas. O que ocorreu em Petrópolis poderia ter sido evitado, ou pelo menos minimizado, se as autoridades agissem com mais rigor, sobretudo no controle das encostas. Encravada entre montanhas, a cidade tem uma topografia perversa, mas pouco se sabe sobre os embargos que deveriam ser feitos para evitar as construções em áreas de risco. Pode-se dizer até que muitos dos casos são invasões, mas o Poder Público não pode aceitar tal conveniência.
Por conta dessa sazonalidade, que permite a prevenção, não faz sentido aceitar determinados discursos feitos sob o viés da surpresa. As chuvas podem surpreender em sua intensidade, mas nunca em sua época. De dezembro a março, o verão tem sido o mesmo, mas as providências andam pelo caminho inverso. O que se repetiu na Região Serrana pode ser registrado também em outros municípios, pois boa parte, senão a maioria, espera acontecer para só depois agir.



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