Na abertura da série de encontros que terá com prefeitos de todo o país, a presidente Dilma advertiu para a importância da fiscalização, a fim de evitar a repetição de tragédias, como a que ora enluta o país, resultado da morte de centenas de jovens em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Cobrou rigor nas ações públicas e lembrou que o Governo fará o mesmo dentro de suas prerrogativas. No mesmo dia, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia, que, por sinal, é gaúcho, anunciou estudos para unificação da legislação preventiva, a fim de evitar distorções, próprias de projetos estanques que definem esse tipo de ação. Uma lei única, e sob o viés do rigor, pode, no seu entendimento, facilitar a ação dos fiscais e dar fim à leniência coletiva que leva a esse tipo de situação.
A questão é saber até quando vai a comoção pública e o interesse das instâncias políticas em dar um paradeiro nessas tragédias. Basta lembrar as mortes da Região Serrana do Rio de Janeiro, que provocaram o mesmo sentimento coletivo e causaram promessas de investimentos no cuidado com as encostas. E o que foi feito? O dinheiro encaminhado para tais medidas ou ficou no meio do caminho, barrado por uma insana burocracia, ou foi para o bolso de aproveitadores de situações críticas para o próprio enriquecimento. Quanto às obras, poucas saíram do papel, até a ocorrência de nova tragédia.
É próprio do inconsciente coletivo se indignar e, depois, seguir em frente, mas é necessário que a discussão seja permanentemente cobrada, a fim de se encontrar soluções. Como já era de se esperar, as casas de show, em todos os quadrantes do país, estão sob investigação, mas até quando vai isso? Cidades como Juiz de Fora, por exemplo, têm outros pontos críticos que precisam de atenção permanente. Por mais de uma ocasião, a Tribuna já advertiu que a área central é um paiol de pólvora. Os velhos casarões não passam por vistoria, e não há ações de prevenção em prédios, a fim de treinar os usuários contra eventuais problemas. Há dois anos, um incêndio em uma pequena loja destruiu outras três e um prédio de quatro andares. Se não fosse a ação imediata dos bombeiros, o cenário teria sido mais crítico.
A tragédia do Sul será uma dor permanente para as famílias, mas devia ser a referência para a tomada de posição das instâncias públicas e privadas. A sociedade também tem a obrigação de agir, denunciando espaços sob risco, pois é ela própria a potencial vítima. Engenheiros, arquitetos e outros profissionais de urbanismo, mesmo sem qualquer compromisso, deveriam aguçar seus olhares para o seu entorno. Também estarão dando a sua contribuição.



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