Na edição de domingo, a Tribuna apontou o recorrente problema da falta de professoras na rede pública. O ano letivo já está em curso, mas as salas de aulas, tanto das escolas estaduais quanto das municipais, continuam com déficit de professores. As autoridades prometem resolver as carências ainda esta semana, mas nem de perto estará superado um problema de conotações bem mais amplas. O país está perdendo o bonde da história ao não investir maciçamente na educação, embora tivesse oportunidade para isso. Até mesmo os governos militares, com poder absoluto, não fizeram o dever de casa, fato repetido em gestões populares que continuam devendo uma mudança fundamental no setor. Quem optou pela educação, como a Coreia do Sul - o caso mais emblemático -, hoje colhe os frutos. O país é um dos mais competitivos do mundo e tem uma qualidade de vida acima da média. O Vietnã, devastado por uma guerra nos anos 1960, está adotando o mesmo caminho e, em breve, também terá uma geração distante da guerra e perto do conhecimento.
No Brasil, como é possível ver diariamente, a educação é tratada como uma simples rubrica do Estado. Falta de professores, salários baixos e pouco tempo de preparação dos próprios profissionais estão incorporados numa rotina que não tem fim. Enquanto isso, perdem todos, a começar pelos estudantes, que não têm um ensino de qualidade e de pouca duração, tornando-se, posteriormente, reféns de um mercado que escolhe poucos, numa concorrência desleal com aqueles que tiveram acesso aos melhores cursos.
O erro, sem indicar esse ou aquele governo, mas todos, é inverter a lógica do conhecimento. A União, como gestora dos recursos, deveria fazer do ensino médio e fundamental a sua prioridade, mas deixa a responsabilidade para estados e municípios, na maioria das vezes, sem recursos e sem capacitação para gerenciar um setor estratégico. Na maioria das prefeituras brasileiras, não há, sequer, meios de gestão, cabendo ao prefeito tocar todas as demandas, mesmo sendo despreparados. Em outros, mesmo com técnicos capacitados, o problema é a falta de recursos e de estrutura.
Pelas evidências, a mudança de foco continua sendo uma peça de ficção, a despeito de todos os exemplos de sucesso que deveriam ser seguidos. Países que colocaram a educação como prioritária, em menos de 30 anos viraram o jogo. Os que têm outro olhar, assistem aos jovens perambulando em busca de um destino, cooptados pela sedução fácil das drogas e da cultura da violência que se instalou por todos os quadrantes.



$msg
Mais comentários