A prisão de 21 pessoas na Zona Sul da cidade, e até mesmo no município de Rio Novo, ocorrida na última quinta-feira, teve dois pontos estratégicos: a ação conjunta das polícias Civil e Militar e o envolvimento do núcleo de inteligência das duas corporações. Foram meses de trabalho, mas que valeram a pena, pois tiraram de circulação personagens em conflito com a lei que levavam medo à população. Agora, fechando o ciclo, cabe à Justiça sentenciá-los, a fim de pagarem sua dívida com a sociedade.
A execução da etapa final tem sido tema recorrente, inclusive entre as corporações, pois, em diversas ocasiões, as polícias fazem as prisões, mas a Justiça, em face das brechas da legislação, é demandada a fazer a liberação, sobretudo quando se trata de menores de 18 anos. Na semana passada, um menino, antes mesmo de chegar aos 14 anos, já tinha dezenas de passagens pela polícia. E não é um caso isolado. Seu futuro é incerto, mas, provavelmente, será um problema para a família, para os vizinhos, para a sociedade e, sobretudo, para ele próprio.
A quebra da estrutura familiar, os desajustes provocados pelas drogas e a falta de uma educação formal têm sido caldos permanentes de uma cultura de violência. As demandas, sejam elas simples ou complexas, estão sendo resolvidas da pior forma possível, como ocorreu, também na quinta-feira, quando três pessoas, duas delas menores de 18 anos, foram presas sob suspeita de matar, por apedrejamento, um desafeto. Além disso, ainda tentaram jogar o corpo num bueiro. Foi um crime de tríplice qualificação: motivo fútil, forma torpe de execução e ocultação de cadáver.
É complexo estabelecer uma causa única para esse cenário de medo, mas é vital que a sociedade não se renda. Cobrar das autoridades é um gesto de cidadania, que deve, inclusive, ser compreendido por quem está sob pressão. No fundo, o interesse é mútuo de reverter um cenário de preocupação que se instalou na cidade.



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