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31 de Janeiro de 2014 - 07:00

Bairros periféricos pagam pela ação das gangues, embora sejam espaço de transformação positiva da comunidade

Por Tribuna

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A população de diversos bairros da Zona Sul da cidade viveu uma noite de angústia e medo na virada de terça para quarta-feira. Tudo começou com uma perseguição a um adolescente que culminou com um deliberado atropelamento, que só não foi mais grave a pedido dos moradores. Em represália, duas motos foram incendiadas. Nas primeiras horas do dia, se não fosse a presença de uma viatura da Polícia Militar, o confronto se estenderia entre habitantes das diversas comunidades. Há cerca de um mês, a rivalidade se acentuou, desdobrando-se em atos de violência.

O dano colateral destes eventos é da própria população, que, em sua expressiva maioria, não tem qualquer envolvimento com esses grupos. Ao contrário, deles tornou-se refém. Com isso, amplia-se, também, a visão estereotipada da própria sociedade em relação aos bairros periféricos, classificando-os de inseguros e áreas sistemáticas de confronto. De fato, há tais ocorrências, mas é necessário considerar que o outro lado da moeda nem sempre é levado em conta.

Por mais de uma vez - e esta semana é possível acompanhar uma série no Caderno Dois -, a Tribuna vem mostrando experiências de sucesso, de envolvimento comunitário e de agregação, nas quais a arte, sobretudo esta, é a ferramenta para tirar os jovens da equivocada rota traçada pelas gangues. Mais do que isso, apontam que este é o caminho a ser seguido e levado em conta pelo olhar externo. Os bairros produzem cultura, acolhimento e nem sempre contam com o suporte adequado para desenvolver seus projetos.

Trata-se, ainda, de um meio eficaz para virar o jogo. Os jovens envolvidos pelas gangues vivem o falso pertencimento, achando que, cumprindo os códigos de honra de tais grupos, estão protegidos. Na verdade, em vez de uma identidade, tornam-se massa de manobra e as primeiras vítimas.

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