Nos seus poucos dias de mandato, a deputada Margarida Salomão (PT) percorreu diversos gabinetes, inclusive o de seu adversário na disputa municipal, Bruno Siqueira (PMDB), se colocando à disposição para defender as causas da cidade e da região. Neste périplo, apresentou e ouviu sugestões e, em algumas delas, encontrou consenso. A Zona da Mata precisa criar novas lideranças, a fim de garantir espaço nas instâncias de poder, mas não é só isso, pois também é necessário avaliar projetos que garantam o crescimento integrado da região. Pensar única e exclusivamente em Juiz de Fora é um contrassenso, pois aumenta as demandas para um município deveras estrangulado. O entorno também tem que crescer, para gerar empregos e renda. O consumo, no entanto, seria aqui.
Em 2011, a cidade foi sede de uma experiência que caminhava nesse sentido, mas que acabou abafada pelo ciclo eleitoral do ano passado. Com a participação de diversas lideranças, mas por iniciativa de uns poucos, realizou-se a agenda de desenvolvimento regional, na qual, a partir de dados colhidos pela Universidade Federal de Juiz de Fora, foram apontadas as demandas da Zona da Mata. Não são poucas, mas algumas delas de maior relevância, que ficaram de ser encaminhadas para os governos de Brasília e de Belo Horizonte.
Ficou definido, ainda, que os parlamentares receberiam missões para acompanhar a tramitação dos projetos nas instâncias de poder, a fim de evitar o seu emperramento nas gavetas da burocracia. Entre os pleitos estão questões nas áreas de transporte, saúde e projetos estruturantes. Não se sabe em que pé estão, mas, a partir da manifestação da parlamentar petista e de outros políticos, como Marcus Pestana (PSDB), um dos mentores da agenda, é possível retomar a pauta.
Abre-se, porém, uma nova janela, na qual a participação dos prefeitos, especialmente o de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, é estratégica. Como gestor do maior município, cabe-lhe a missão de liderar o movimento, cooptando os demais chefes de Executivo a avaliar a importância do desenvolvimento conjunto. A região carece de uma liderança capaz de dizer às autoridades estaduais e federais que a Zona da Mata quer retomar o espaço que jamais poderia ter perdido. A hora é essa.



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