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21 de Maio de 2014 - 06:00

População se vê refém do crime, enquanto instâncias de poder não conseguem encontrar uma solução

Por Tribuna

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Quem se dispor a visitar a seção de cartas da Tribuna, nas versões impressa e digital, pode se espantar com os comentários envolvendo a matéria de capa da edição de ontem, na qual o fato principal era a ação de cerca de 30 pessoas que invadiram uma casa e espancaram o inquilino, por suspeita de ser um estuprador, embora não haja ocorrências formais indicando sua ligação com vítimas de abusos sexuais.

Dos mais brandos aos mais exaltados, os comentários verbalizam o inconsciente coletivo na questão da violência urbana: na ausência do Estado, se faz justiça com as próprias mãos. Armados de pau e barras de ferro, foi isso que os agressores tentaram fazer. O alvo está internado no hospital com afundamento do crânio, em estado grave.

Este não foi um caso isolado. O noticiário tem sido pródigo em revelar ocorrências em que a população reteve, por conta e risco, autores de ilícitos até a chegada da polícia. Em alguns casos, com espancamento até a prisão formal. Trata-se de uma medida equivocada, mas criticar os autores não tem sido tarefa fácil, sobretudo quando a sociedade se vê cada vez mais refém da violência.

A impunidade tornou-se rotina em todas as escalas de crimes: do simples furto ao desvio de milhões, graças, também, a uma legislação permissiva, na qual - sobretudo quem tem meios - é possível usar de toda sorte de recursos.

O país está às vésperas de uma campanha eleitoral, e os discursos não entram nessa questão. O Congresso age mais por reação do que por ação, despejando normas a cada episódio, mas não se dedica à questão central: as causas de todo esse cenário. O Estado também se ausenta enquanto o Judiciário não briga para mudar a situação.

Quem perde, de novo, é a sociedade, pois se mantém numa situação em que o excluído é quem paga impostos, sendo obrigado a se esconder dentro de casa, enquanto as ruas são dos criminosos.

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