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05 de Janeiro de 2014 - 07:00

As eleições terão temas além da reforma política; eleitor também estará pensando no próprio bolso

Por Tribuna

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Em 1992, quando disputava a Presidência dos Estados Unidos, Bill Clinton cunhou a frase "é a economia, estúpido", ao referir-se ao seu papel estratégico nas democracias. Se ela vai bem, as demais instâncias também caminham bem. Desta forma, a despeito de todas as mazelas políticas, o ciclo virtuoso da economia foi a referência para o comportamento do eleitor nos últimos pleitos no Brasil. Mesmo sabendo dos nós deixados pela instância partidária - com escândalos de toda a monta -, o processo sucessório em momento algum teve algum tipo de comprometimento.

Os mesmos marqueteiros de Clinton - James Carville e Stan Greenberg - voltariam à cena ao escreverem o livro "É a classe média, estúpido", parodiando a frase e, ao mesmo tempo, advertindo que esta também é estratégica para os governantes. Foi a classe média quem ocupou as ruas nos atos do ano passado, expondo sua preocupação. No novo patamar social não vale apenas o ter, mas também a qualidade dos produtos que estão sendo consumidos. Desta forma, tarifas adequadas de transporte, telefonia, de serviços em geral são fundamentais, mas a qualidade desse serviço também pesou nesse novo comportamento.

Diante desses componentes, o Governo deve ficar atento, pois a economia brasileira, a despeito de todos os discursos otimistas do ministro Guido Mantega, não está com a mesma vitalidade do período Lula. Os números que fecharam 2013 são preocupantes, e as medidas apresentadas são tímidas, sobretudo por conta das eleições. Ao não querer contrariar o bolso do consumidor com medidas impopulares, o Governo não cumpre o dever de casa. Uma hora essa conta terá que ser paga.

A agenda das eleições de outubro será, portanto, bem mais ampla do que a simples troca de farpas entre situação e oposição. O país tem que estar preparado para um cenário internacional incerto, o que, por projeção, também deixa sem norte o que pode ocorrer com os números nacionais. Levará vantagem o candidato que apresentar uma saída para esse futuro sem garantias.

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