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20 de Abril de 2014 - 06:00

Num cenário de contradições, é preciso resolver a crise que tomou conta da maior estatal do país

Por Tribuna

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Quando surgiu a denúncia de leniência na compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, a presidente Dilma Rousseff veio a público dizer que não recebeu todos os pareceres da área técnica, sentindo-se, pois, traída por relatórios incompletos elaborados pelo então diretor Nestor Ceveró. Ela presidia o conselho que autorizou a transação. Na última terça-feira, a presidente da empresa, Graça Foster, em depoimento no Senado, isentou a presidente de responsabilidade, mas admitiu textualmente ter sido um mau negócio, embora não haja a pretensão de se desfazer dele, pois a conta ficaria mais alta ainda. Um dia depois, falando na Câmara dos Deputados, o ex-diretor foi pelo caminho inverso. Também considerou que o conselho presidido por Dilma não precisava saber de todos os detalhes, mas enfatizou ter sido um bom negócio, o que levou o deputado Roberto Freire (PPS-SP) a cunhar uma frase sobre os discursos: "há um cipoal de contradições".

E foi nesse cenário de contradições que a Semana Santa esfriou os debates, mas não encerrou a polêmica. Maior empresa do país, a Petrobras também está sob o olhar estrangeiro. O americano "The New York Times" disse que os escândalos e maus negócios estariam afetando a empresa, ora, no seu entendimento, estagnada. A notícia desagrada não apenas as instâncias de poder mas, sobretudo, os acionistas. Embora estatal, ela tem uma imensurável lista de sócios forjada no Fundo de Garantia, que vêm suas ações caírem de cotação. A estes e aos demais brasileiros é preciso dar uma resposta adequada, que deve começar pela apuração de todos os danos, com a consequente punição dos responsáveis. O que se vê, hoje, é a politização do tema, que agrada a oposição e desagrada o governo, mas não resolve o problema.

Organismos formais de investigação, a começar pela Polícia Federal, devem ir fundo nas investigações, ao mesmo tempo em que cabe ao Governo recolocar a empresa no seu correto rumo. Funcionária de carreira, com cerca de 40 anos de trabalho, a engenheira Graça Foster tem papel relevante nessa decisão, que deve ser levada adiante, mas fora do palanque.

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