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07 de Maio de 2014 - 06:00

Partidos políticos perdem quadros e espaço na opinião pública por agirem como balcões de interesses em vez de entidades representativas do povo

Por Tribuna

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Em boa parte das vezes, as pesquisas eleitorais são discutidas de modo risível, prinipalmente pela opinião pública, que se detém apenas a dados como preferência por determinado candidato ou aprovação da gestão em curso. Só que os institutos apuram outros pontos que deveriam ser considerados, sobretudo pelas instâncias políticas. A recente pesquisa do Instituto MDA, em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes, não apontou apenas a queda da presidente Dilma e a consequente subida dos candidatos da oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos, na preferência do eleitor. Há dados emblemáticos que não foram abordados, mesmo sendo relevantes.

Na edição de segunda-feira, o jornal "Valor", que tem o viés econômico, mas também faz profundas análises políticas, revelou a estratificação dos dados referentes à preferência pelos partidos, elaborada pelo Datafolha. E o resultado é preocupante: Apenas 30% dos eleitores, de acordo com levantamentos de fevereiro e deste mês, indicam uma sigla preferida, enquanto 66% dizem não ter simpatia por qualquer agremiação. As ruas estão desencantadas com os candidatos e com as legendas, o que, em princípio, deveria provocar profunda reflexão das lideranças, afinal, não estão em jogo apenas as siglas partidárias, mas a própria instituição. Quando os partidos perdem o poder de representação, algo está errado, e por culpa desses próprios atores, que só agem em função do interesse pessoal ou de determinados grupos.

Até as eleições, o cenário pode se agravar, dependendo do grau de mobilização das redes sociais, que articulam manifestações no período da Copa e até mesmo do resultado da competição. O modo como os partidos operam nas estruturas de poder levou a essa situação. Cabe a eles corrigir o rumo e falar uma nova linguagem, adotando um novo comportamento, com ações voltadas para o interesse coletivo, distante do balcão que se estabeleceu, sobretudo em Brasília, onde a ideologia fica em segundo plano, sendo substituída pelo toma lá dá cá para ocupação de postos no poder.

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