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14 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Pelo voto aberto, Câmara faz o que já deveria ter feito antes, punindo um deputado preso por improbidades

Por Tribuna

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O deputado Natan Donadon, ora cumprindo pena na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, por uma série de crimes cometidos em Roraima, seu estado, foi cassado pelos próprios pares, na noite de quarta-feira, pelo expressivo placar de 467 votos e uma abstenção. Ninguém defendeu o seu mandato, embora ele estivesse em plenário para sua última apelação. Com a decisão, a Câmara desfaz o erro do ano passado quando, pelo voto secreto, manteve o mandato do parlamentar, a despeito de tantas acusações. Na ocasião, além do equívoco de alguns partidos, que subestimaram os bastidores, falou o corporativismo.

A votação, desta vez, ocorreu sob o sistema aberto, quando os políticos são obrigados a mostrar a cara na hora do voto. A maioria que tinha absolvido Donadon não se apresentou desta vez, por temer a repercussão nas ruas em pleno ano eleitoral. A mudança, pois, valeu a pena, não pela punição em si, mas para dar à sociedade a chance de acompanhar o voto de seus representantes.

Tancredo Neves, entre muitas de suas memoráveis frases, já clamava pelo risco do voto secreto, advertindo que, no silêncio das urnas, surge a vontade de trair. Pelo voto aberto, não. O político é pressionado a seguir a intenção das ruas, salvo em situações em que sua convicção fala mais alto, a despeito da ação externa. A cassação de Donadon não era um caso de convicção, e sim de provas. Momentos antes da sessão, ele disse não saber porque estava preso, num claro gesto de escárnio, já que as denúncias contra ele são robustas, e a condenação ocorreu após amplo direito de defesa.

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