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27 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Reação da população aos agentes do Estado é um ato incomum, mas que precisa ser avaliado

Por Tribuna

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A ação de comunidades da Zona Norte contra a Polícia Militar, como a Tribuna mostrou na edição de ontem, abre espaço para reflexão. O que leva moradores a atacarem um agente do Estado responsável por sua segurança? Na ausência de respostas, é possível especular. O ataque aos militares pode ter sido uma ação deliberada, sob ordens dos traficantes que não permitem investimentos em seus territórios. Mas é possível admitir também ter sido uma reação a algum tipo de arbitrariedade cometido pelos próprios policiais em outras operações.

Em todos esses casos, parodiando o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, há um ponto fora da curva, já que a lógica não é essa. Em havendo autores de ilícitos, a Polícia Militar age, e a população acolhe, pois é a primeira a ser beneficiada. O que não foi o caso. Em dois episódios e em bairros distintos, a reação surpreendeu, inclusive por seu ineditismo em Juiz de Fora. Como apontaram os pesquisadores ouvidos pelo jornal, há casos em metrópoles em que a população se revolta. Aqui, não.

Quando o Estado se faz ausente, o vácuo de poder pode ser ocupado por criminosos. Em regiões de poucos investimentos sociais do Governo, o tráfico assume esse papel, distribuindo cestas básicas e até mesmo zelando pela segurança da região, formalizando uma troca de favores com a população. Por isso, mais do que a repressão, o primeiro passo é detectar o que faz dessas comunidades reféns dos criminosos. Aí, sim, feita essa prospecção, é possível cobrir as falhas com ações claras e positivas e tirar de cena os que agem à margem da lei.

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