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22 de Março de 2014 - 06:00

O crime organizado tenta implantar um estado paralelo, fazendo dos órgãos de segurança pública alvo de seus ataques

Por Tribuna

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Na última quinta-feira, uma patrulha da Polícia Militar, em operação no Bairro Olavo Costa à procura dos autores de um furto de bicicletas, foi atacada a pedradas e pressionada pela própria população. O veículo teve o vidro traseiro estilhaçado, e a situação só voltou ao controle após a chegada dos reforços. Os autores das pedradas eram dois adolescentes, que acabaram apreendidos. Segundo relato dos policiais, "um aglomerado de pessoas se formou no entorno, e os suspeitos arremessaram pedras na viatura".

No Rio de Janeiro, três unidades pacificadoras foram atacadas, e três policiais foram baleados na mais recente onda de violência na cidade. O governador Sérgio Cabral pediu apoio ao Governo federal e acentuou tratar-se de uma reação do crime organizado, ora acuado pelo avanço da polícia em áreas sob seu controle. E, mais, garantiu que não haverá recuos, sendo a ocupação uma política de Estado.

Respeitadas as devidas proporções, em ambos os casos, há algo fora de ordem. Em vez de a polícia atacar os criminosos, são esses que estão na ofensiva, num claro desafio ao sistema. A atuação de dois adolescentes apedrejando um carro da PM não é um gesto ingênuo. Ela faz parte de um caldo de cultura que se estabeleceu nas comunidades, nas quais não se percebem ações de Governo, salvo da sua face repressiva. Tanto lá quanto cá, o que os especialistas defendem são medidas sociais após a profilaxia contra os bandidos.

O secretário de Segurança fluminense, José Mariano Beltrame, tem se queixado disso. Colocou polícia nas comunidades, mas as demais ações não saíram do papel. Em Juiz de Fora, há, é fato, ações em curso, mas a morosidade em sua implantação acaba se tornando um fator contra o próprio Governo. Os projetos na Vila Olavo Costa foram anunciados há quase três anos, mas só agora começam a ser implementados. É preciso ter pressa.

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