Até bem pouco tempo, o discurso recorrente era de que os anos neutros eram próprios para fazer mudanças ou votar projetos de grande relevância, tipo reforma tributária, reforma política, entre tantas outras demandas que já deveriam ter saído do papel. A questão, porém, é traduzir o que seria um ano neutro. Em princípio, é aquele em que não há eleição, deixando os políticos e os partidos menos envolvidos com as paixões. O 2013, inaugurado há 20 dias, seria um desses anos. Mas haverá mudanças; ele é, de fato, neutro?
Ao que tudo indica, o advérbio de negação cabe nas duas questões: não haverá mudanças, e nem o ano é neutro. O discurso do Governo e da oposição dá mostras de uma campanha antecipada, que, mesmo não estando ostensivamente nas ruas, tem pautado as ações dos dois lados. A presidente Dilma, por recomendação dos marqueteiros, está intensificando suas viagens pelo país. O ex-presidente Lula, que pode até ser ele mesmo o candidato, já anunciou a retomada de suas caravanas da cidadania. E só não antecipou por conta de percalços, como o indiciamento de sua assessora, Rosemary Noronha.
Pelos lados da oposição, o senador Aécio Neves espera romper a inércia do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ter o seu aval para ir às ruas. Mas o fará de qualquer jeito, a pedido dos correligionários e pelas próprias circunstâncias. O problema, porém, é achar o discurso adequado para enfrentar o Planalto. Se ficar no recorrente texto de pura crítica, sem apresentar contrapropostas, será perda de tempo. Aécio percebeu e convidou economistas a apresentarem uma alternativa econômica, para enfrentar o PIB da presidente Dilma, que teve números decepcionantes. Para ir adiante, porém, Aécio tem que contar com o erro do próprio Governo, que insiste em intervenções sistemáticas na economia.
A sorte, mesmo num ano neutro, está lançada, e esse processo muda, também, o comportamento das demais instâncias. É necessário, porém, evitar as armadilhas. Quem se dedicar única e exclusivamente à campanha corre o risco de perder o dia a dia do Executivo e do Legislativo, que não podem parar, mesmo diante de uma disputa tão relevante.



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