Lideranças dissidentes do PSD de Belo Horizonte, inconformadas com a ingerência do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que exigiu apoio à candidatura de Patrus Ananias, do PT, disseram que não vão aceitar a decisão, por conta do viés nacional que se tenta dar às eleições municipais. Provavelmente terão problemas, pois as direções nacionais têm essa prerrogativa, e está claro que há interesses maiores em jogo.
Por mais que alguns líderes tentem dizer que as eleições são municipais, o que está em jogo é a sucessão da presidente Dilma Rousseff. As composições não estão sendo efetivadas sob o olhar local, sobretudo nas capitais. Terceiro maior colégio eleitoral do país, Belo Horizonte não é exceção. Principal território do senador Aécio Neves (PSDB), a capital mineira entrou na mira do PT, por conta da possível candidatura do parlamentar a presidente. Sustentar uma aliança com o líder tucano em torno do prefeito Márcio Lacerda valeu para 2008, mas, para 2014, a história muda.
O viés municipal, no entanto, não deve ser abandonado, pois as demandas locais são distintas das demandas em jogo nos comandos nacionais. O eleitor tende a avaliar seus interesses diretos, na maioria das vezes, presos a questões como saúde, educação, transporte e segurança, e é com base nestes que vai definir seu voto. Nacionalizar o debate vale como estratégia final, mas o meio deve ser voltado para a base.
Como a campanha ainda está no começo, somente a partir de agosto é que será possível verificar que rumo os partidos tomarão em Juiz de Fora, onde há um misto de interesse nacional e questão local. Só o tempo, porém, dirá qual a rota adotada.



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