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15 de Junho de 2014 - 06:00

Os partidos atuam de acordo com razões pessoais, deixando de lado a ideologia de seus programas de governo

Por Tribuna

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As recentes convenções partidárias, como a do PMDB, que terminou com a legenda dividida praticamente ao meio, são a prova material da fragilidade do sistema político brasileiro. A democracia vai bem, mas as legendas não se sustentam mais no viés ideológico, fazendo do interesse a sua principal causa. Essa situação se repete nos estados, criando embaraços de toda ordem e deixando sem entender nada quem está distante do jogo político. Como pode o mesmo partido apoiar dois candidatos ao mesmo tempo sem riscos para os dissidentes?

O PMDB nacional formalizou aos trancos e barrancos o apoio à presidente Dilma, mas os diretórios estaduais não seguem a mesma cartilha. No Rio, há um acordo tácito entre o tucano Aécio Neves e os peemedebistas, criando a figura do Aezão, uma mistura de Aécio com Pezão, nome do governador fluminense. Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin busca um vice do PSB de Eduardo Campos e, mesmo assim, jura que vai pedir votos para Aécio. E também não acontece nada. Seus seguidores dizem que ele apenas retribui o que recebeu de Aécio, quando perdeu para Lula, e o senador era governador mineiro.

Na disputa em Minas, a situação não é diferente. Boa parte dos prefeitos do PMDB não concorda com o apoio ao petista Fernando Pimentel, ficando a dúvida de como vão se comportar com a consolidação da coligação que coloca o presidente de seu partido na chapa de vice. O prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, que tem no PT sua principal oposição na Câmara, dá tempo ao tempo.

Enquanto não ocorrer uma reforma partidária séria, capaz de acabar com esse jogo, as articulações com base no interesse vão continuar. Quem perde é o eleitor, que se sente ludibriado na hora do voto por não saber em que situação encontra-se o seu candidato.

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