Assessores do ex-presidente Lula, uma semana depois de uma desgastante foto em que parecia comandar uma reunião do secretariado do prefeito paulistano, Fernando Haddad, se apressaram, nos últimos dias, a dizer que ele está engajado na reeleição da presidente Dilma Rousseff. Para tanto, como destacou o jornal "Folha de S. Paulo", vai coordenar a base aliada, ou, como disse um de seus ex-ministros, vai jogar todas as suas energias para manter a coalizão com o PMDB e com o PSB.
O que não dizem, e vale também para a oposição, é que as eleições de 2014 não apontam apenas para a renovação do mandato da presidente ou a ascensão de um novo nome, como o do senador Aécio Neves, hoje a principal aposta do PSDB. O pano de fundo de todo o debate, já nas ruas, é o projeto de poder envolvendo tucanos e Partido dos Trabalhadores. Fora do Planalto há dez anos, o PSDB sabe que precisa se oxigenar, sob o risco de sair de cena como referência oposicionista. As experiências paulistas, com José Serra e Geraldo Alckmin, foram em vão. A hora é do mineiro, mais por conta da legenda do que do seu projeto pessoal.
No caso petista, a aposta é a mesma. O ex-presidente Lula está preocupado com o futuro do Partido dos Trabalhadores e joga todas as fichas nesse sentido. Quando encabeça uma ousada renovação dos quadros, colocando o neófito Fernando Haddad na maior prefeitura do país e tira de cena velhas lideranças, se fixa num projeto bem mais amplo. Sabe, pelo extraordinário faro político, que partidos no Governo têm data de validade vencida se não se renovarem sempre.
Ele não é candidato, pois significaria a volta do antigo, mas investe na presidente, outro resultado de sua ousadia, e mantém em cena o "lulopetismo", do qual é a principal representação.



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