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07 de Março de 2014 - 06:00

Partidos da base fazem pressão em ano eleitoral, certos de sua importância na aliança

Por Tribuna

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O presidencialismo de coalizão tem destes problemas. A presidente Dilma Rousseff está sendo emparedada por uma ala do PMDB - liderada pelo deputado pelo Rio de Janeiro Eduardo Cunha - por conta de "compromissos não cumpridos", como cessão de cargos no primeiro escalão. O grave desse enredo é que o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do partido, senador Valdir Raupp, não conseguem enquadrar os dissidentes. A base da base ameaça romper com o Governo num claro gesto de rebeldia. Do outro lado do balcão, quem estica a corda é o presidente nacional do PT, Rui Falcão, que também não é de levar desaforo para casa.

Na última quarta-feira, o ex-presidente Lula foi a Brasília e tratou do assunto com a presidente, mas o resultado só será conhecido depois de outras conversas. Dentro do PT, também há quem considere a aliança com o PMDB um ônus muito pesado, cujo retorno só vale no tempo de TV. No mais, são demandas constantes que nunca satisfazem o aliado.

Não é de hoje que esse jogo de pressão ocorre. Desde a Constituição Parlamentarista de 1988, o Executivo, a despeito do poder de agenda e de ter a caneta na mão, vive à mercê do Legislativo. O tucano Fernando Henrique, nos seus oito anos de mandato, e o ex-presidente Lula, também pelo mesmo período, tiveram que ceder os anéis para não perderem os dedos. A diferença é que ambos, embora em trincheiras distintas, tinham a mesma personalidade conciliatória. Coisa que falta à presidente Dilma, talhada nos campos da guerrilha, onde esse tipo de acordo nunca prosperou.

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