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08 de Abril de 2014 - 07:00

Por conta das campanhas, candidatos tomam decisões ou fazem acordos distantes do interesse público

Por Tribuna

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Em palestra sobre os 50 anos do Golpe Militar, o ministro Dias Toffoli, que vai assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, observou que há um certo cinismo em proibir a campanha eleitoral antecipada, uma vez que ela está nas ruas. E tem razão. É preciso respeitar certos limites, mas a judicialização do pleito em excesso também é um problema, já que poucos respeitam a regra. Político tão logo é eleito já está pensando no pleito seguinte, sobretudo nas instâncias executivas. Com a reeleição, adotada na gestão Fernando Henrique Cardoso, criou-se uma nova situação nas instâncias de poder: as decisões tomadas são voltadas não necessariamente para a resolução de problemas, e sim para agradar a plateia. Por isso, medidas impactantes, mas causadoras de desgastes, ficam para a segunda etapa.

E, nessa situação, não há exceções. Presidente da vez, a economista Dilma Rousseff tem tomado atitudes que, em outras situações, não levaria a cabo, a começar pela cessão de cargos a aliados. De estilo duro e com pouca mobilidade política, age por necessidade ao abrir diálogo com determinados segmentos. Quando recusa, cria problemas, como ora acontece na montagem de seu palanque. Os aliados, com apetite imensurável, usam de artifícios para cobrar espaço no poder. Na economia, segura decisões que já se fazem necessárias.

Nos estados, a situação se repete. Em Minas, mesmo a contragosto, pois tem vocação para o Executivo, o ex-governador Antonio Anastasia encerrou seu mandato por conta não apenas do programa de governo do senador Aécio Neves mas também para garantir o PSDB no Senado. Ou, ainda, garantir uma importante moeda de troca. O posto já foi oferecido ao PMDB, desde que este faça uma "traição premiada", isto é, saindo do palanque de Fernando Pimentel e migrando para o palanque de Pimenta da Veiga. Faz parte do jogo.

O pano de fundo, porém, é o dano que resulta desses acordos. O país tem fortes implicações, sobretudo econômicas, cuja solução está sendo adiada, da mesma forma que nos estados as alianças paralisam as administrações. Ou criam um foco único no palanque.

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