A rebelião de 18 adolescentes internados na Casa de Saúde Esperança para tratamento de dependência química, num convívio preocupante com os demais pacientes do SUS, é mais um ponto da série de problemas que envolvem o atendimento a crianças e adolescentes. No discurso, há recorrência em apontar a necessidade de medidas socioeducativas para o segmento, a fim de evitar sua migração para o crime. Na prática, a situação é outra.
Como a maioria dos municípios mineiros, Juiz de Fora não tem uma casa específica para meninas em conflito com a lei. No caso da dependência, como apontou uma das mães, é possível, mas há preocupação com gestos truculentos de alguns profissionais e até mesmo com as condições das instalações de tais instituições. Não se defende a transferência para um hotel, mas é vital estabelecer que, até mesmo para processos de recuperação, são necessários espaços com um mínimo de dignidade.
Ficou claro, ainda, o convívio de pacientes comuns com dependentes químicos ou em conflito com a lei em diversas instituições. A casa em questão é apenas mais uma, pois o problema se repete no Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde são adultos apenados que dividem o mesmo hospital com os demais pacientes.
O recente programa de combate à dependência química, implantado pelo Governo, com o envolvimento das famílias, que até receberiam recursos para o tratamento, é uma das alternativas para enfrentar o problema, mas é preciso monitorar a sua execução, a fim de garantir um projeto sem os riscos da rebelião e, muito menos, de maus-tratos a quem busca uma nova vida distante das drogas.



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