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06 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Se sentindo refém dos criminosos, população toma para si a função de fazer justiça, o que, em tese, não está em suas prerrogativas

Por Tribuna

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No início da semana, moradores do Rio de Janeiro fizeram a prisão de adolescente que praticava pequenos furtos na Zona Sul e o amarraram completamente nu até a chegada da polícia. O fato, inserido na rotina da metrópole, ganhou contornos políticos, uma vez que a deputada Benedita da Silva, que já governou o estado, levou o assunto para a tribuna da Câmara. Reconheceu o gesto criminoso do garoto e, portanto, a necessidade de punição, mas criticou a forma como a prisão foi efetuada. Para ela, a comunidade passa dos limites quando resolve fazer justiça pelas próprias mãos. Minutos depois, já conhecedor do discurso de sua conterrânea, o deputado Jair Bolsonaro foi ao mesmo microfone e fez um duro discurso em defesa da ação da população, pois o garoto, no seu entendimento, "como qualquer vagabundo, tinha que ser punido".

Os dois lados agradaram suas plateias. A deputada, por destacar a ação fora do braço policial, e o deputado, por considerar que, na atual conjuntura, se o povo não tomar a justiça como sua prerrogativa, tudo tende a piorar. Bolsonaro, militar da reserva de linha dura, já é conhecido em outros episódios pelo seu radicalismo que, no entanto, tem encontrado eco nas ruas, como os próprios fatos constatam.

A lição a ser tirada é a demonstração de ineficiência do Estado em atender às demandas da população, sejam elas na segurança, na educação ou na saúde. Na primeira, o gesto, que se repete com frequência pelo país afora, é prova material de uma perigosa descrença com o trabalho dos agentes da segurança pública. Mas não apenas deles, mas também com as instâncias de Governo e do Judiciário. Se a polícia não prende, o povo o faz, e quando ela prende e o Judiciário solta, a justiça é das ruas. Esse caldo de cultura é preocupante, pois chegará um momento em que todos estarão sob risco.

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