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07 de Agosto de 2012 - 07:00

Jovens partem para o confronto sem o medo que induz à prudência, fazendo da lei da retaliação a sua regra

Por Tribuna

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As metrópoles, e Juiz de Fora não é exceção, convivem com dois problemas graves: o enfrentamento de gangues, e os acidentes, cada vez em maior número, envolvendo motocicletas. Em comum, o grau de letalidade que avança em progressão geométrica. Os enfrentamentos dos adolescentes têm sido cada vez mais críticos, culminando com crimes contra a vida. Na edição de domingo, a Tribuna voltou ao tema e encontrou um cenário preocupante por não vislumbrar solução. Os entrevistados se escudam na Lei de Talião - "se matarem um dos nossos, vamos lá e fazemos a mesma coisa" -, e não demonstraram preocupação com as consequências, seja como autores, seja como vítimas. Durante a entrevista, um deles foi ameaçado, mas tocou a vida para frente. A polícia e o Judiciário apresentam projetos, mas o que se vê nas ruas é um quadro em que a morte está sempre à espreita da próxima vítima.

Alguns fatos acentuam o problema, como a facilidade para obtenção de armas. O que, antes, era um inocente confronto nos bailes, tornou-se uma luta de poder e de pertencimento, com a utilização de facas e revólveres. Este ano, já morreram nove adolescentes em Juiz de Fora, número que já deveria ter mobilizado as autoridades, inclusive das instâncias superiores, para a implantação de medidas mais efetivas. No Centro, onde os confrontos passaram a ser marcados, não há câmeras para registro e posterior investigação, uma vez que o Estado ainda não entendeu ser necessária a adoção de projetos que facilitem a vigilância eletrônica. O "Fica Vivo", que prevê ampliação da vigilância eletrônica, facilitaria as ações da polícia, mas Juiz de Fora continua fora da lista, embora cidades de menor porte já estejam sendo avaliadas.

O outro front também se mostra nos números: nas últimas 48 horas, foram registradas duas vítimas fatais - uma no Mergulhão, e outra no Ipiranga. A Tribuna buscou dados no Ministério da Saúde e apurou que o número de mortes por acidente de moto aumentou 21% nos últimos anos, de 8.898 motociclistas em 2008, para 10.825 em 2010. Com isso, a taxa de mortalidade no país cresceu de 48,8 óbitos por cem mil habitantes para 5,7 por cem mil, neste mesmo período. O perfil das vítimas é o mesmo apresentado no confronto de gangues: são jovens.

A facilidade de financiamento e o trânsito cada vez mais intenso têm sido armadilhas diárias para os motociclistas, aliado à imprudência de muitos que andam por meio dos carros em alta velocidade. A despeito das ações sistemáticas da Polícia Militar, pelo menos em Juiz de Fora, os abusos ainda são constantes, deixando os próprios usuários à mercê da própria sorte.

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