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19 de Março de 2014 - 06:00

Partidos fazem acordos para garantir espaço no poder; Executivo cede para não aumentar a oposição

Por Tribuna

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Profissional nas suas relações de poder, o PMDB joga em duas frentes na discussão de sua aliança com o Partido dos Trabalhadores. Na instância nacional, por orientação do líder da bancada, deputado Eduardo Cunha, criou-se o "blocão", reunindo aliados do Governo, mas inconformados com suas parcelas no bolo oficial, tanto na distribuição de cargos quanto na liberação de recursos. Para reverter a situação, a presidente Dilma Rousseff teve que fazer uma reforma ministerial, que não era de seu interesse, e ainda foi induzida a liberar cargos nos demais escalões. Para não perder os dedos, lá se foram os anéis. A votação do marco na internet, que pode ocorrer ainda hoje, será o próximo desafio, uma vez que será o teste das concessões feitas nos últimos dias.

Na outra frente, o PMDB mineiro insiste no projeto da candidatura própria, a despeito de seu próprio presidente, ex-ministro Antônio Andrade, ser considerado o vice ideal na chapa de governador encabeçada pelo também ex-ministro Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores. Capitaneados pelo senador Clésio Andrade, os dissidentes insistem em apontar que a hora é de um nome próprio (no caso, o do próprio Clésio), fugindo da tutela do PT. O pano de fundo, porém, é de cicatrizes não fechadas ainda da eleição de 2010, quando era o PMDB o cabeça de chapa. O ex-ministro Hélio Costa, então líder das pesquisas, viu seu sonho ir por água abaixo ante o que chamou de corpo mole dos aliados. Seria a hora do troco.

Situações como essas são próprias do processo pré-eleitoral, mas também são prova material da falta do viés ideológico nas relações de poder. O PT, que tanto criticou o balcão de negócios que se estabeleceu na relação do Executivo com o Congresso, usa o mesmo remédio para garantir, sobretudo, tempo na televisão. O PSDB, que se tornou o novo crítico na instância federal, não mede esforços para fazer acordos nos estados. Em Minas, admitiu até mesmo manter Clésio Andrade (PMDB) como candidato ao Senado em detrimento da possível disputa com o governador Antonio Anastasia (PSDB). Os fins, lá e cá, justificam os meios.

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