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31 de Maio de 2014 - 06:00

Ministro deixa o STF para dedicar-se a projetos pessoais, fugindo da tentação da vida política

Por Tribuna

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A aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, que, segundo "O Globo", se deveu a ameaças sistemáticas de morte, e que, de acordo com o próprio, se justificou no cansaço e na intenção de respirar novos ares, além de voltar à vida acadêmica, deixa no ar uma série de indagações. A primeira delas é como o Supremo Tribunal Federal vai agir ante as pendências do mensalão, que agora caberão a um novo relator e ao novo presidente da instituição, Ricardo Lewandowski. Durante o processo, ele foi o antípoda de Joaquim, divergindo basicamente em quase tudo na função de revisor.

O novo presidente fica no pior dos mundos. Se seguir as suas convicções, muitas delas marcadas por forte sustentação jurídica, irá contra a opinião pública. Se seguir o antigo relator, dará um tiro nas próprias ideias. Há, ainda, a permissão de trabalho para os mensaleiros, que Joaquim rejeitou, a despeito das críticas dos advogados dos réus e da própria OAB, secundada por associações de magistrados.

Temperamental, intransigente e até arrogante, Joaquim Barbosa, no entanto, foi o homem certo para a demanda certa. Outro ministro não teria levado a cabo um processo tão penoso e marcado por influência de poderosos, muitos deles ora abrigados na Penitenciária da Papuda. Se não fosse sua obstinação e o forte conteúdo teórico que colocou nas argumentações, o país estaria diante de uma situação diferente. O ministro apontou, sobretudo, que a Justiça pode alcançar os mais poderosos. Basta querer.

Seu legado é esse e já é suficiente para colocá-lo na história, gostando ou não de suas atitudes. Ele se tornou maior ainda ao sair depois de esgotado o prazo de filiação, que faria dele um potencial candidato. Fugiu dessa armadilha, quebrando assim o discurso daqueles que esperavam tal gesto apenas para dizer que todas as suas atitudes foram voltadas para o interesse pessoal. Como cidadão, tem o direito a candidatar-se ao que quiser. Como ministro, teve o bom-senso de usar o tempo certo para sair.

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