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02 de Fevereiro de 2014 - 07:00

Troca de ministros é resultado das eleições e do jogo de poder que faz do Governo refém dos partidos aliados

Por Tribuna

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A presidente Dilma Rousseff dá posse nesta segunda-feira a três novos titulares - Educação, Saúde e Casa Civil -, dando início à reforma do seu primeiro escalão. Parte dos ministros sai por causa da eleição de outubro. Como candidatos, teriam mesmo que se desincompatibilizar em abril. A antecipação facilita a vida de ambos: do Governo, que tem mais tempo para negociar, e dos ministros, para fazer campanhas sem a pressão dos prazos.

Mas a questão não é quem sai e sim quem entra, pois o balcão de negócios da política tem toda sorte de interesses. O PT quer ampliar sua participação na estrutura de poder, e os aliados querem mais espaços, sob o argumento de que é hora de serem prestigiados. O PMDB é o que mais reclama e, numa insaciável postura, cobra mais um ministério. A presidente, que nunca gostou desse jogo, está sendo forçada a aceitar imposições para garantir apoio na busca da reeleição.

A cada período de eleição, o processo é o mesmo, confirmando a dificuldade de se governar num presidencialismo de coalizão. O presidente da República, a despeito de todos os poderes, acaba sendo refém das alianças, sendo obrigado a acordos que surpreendem a própria lógica. O tucano Fernando Henrique Cardoso, nos seus oito anos de mandato, teve os mesmos aliados no seu Governo e ainda os Democratas. O presidente Lula, embora tenha chamado o Congresso de um espaço de picaretas, para governar por duas vezes seguidas teve que ceder espaços para adversários, inclusive Paulo Maluf, considerado inimigo político. Dilma Rousseff, com pouco jogo de cintura, é induzida a fazer o mesmo.

Como não há indícios de mudanças, pois as partes interessadas bloqueiam qualquer tentativa de reforma que lhes tire o poder, o caminho continuará estreito. Em menor escala, os governadores e prefeitos também são obrigados a fazer seus malabarismos.

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