A nacionalização das eleições municipais é inevitável, tal a importância que acabam representando para a sucessão municipal. Mais do que os estados, os municípios tornaram-se estratégicos em projetos de eleições gerais, como já foi provado ao curso dos anos. Daí, a participação da presidente Dilma Rousseff em território mineiro não ser algo que surpreenda. Natural de Belo Horizonte, mas com domicílio político em Porto Alegre, a presidente investe no estado, não por conta de suas origens, mas por saber que o segundo maior colégio eleitoral é definidor na contagem final dos votos. Ademais, seu eventual adversário, o senador Aécio Neves, faz de Belo Horizonte o seu ponto de partida para Brasília.
A questão a ser levantada é até que ponto essa nacionalização vai comprometer o debate local. Eleições municipais são marcadas por questões pontuais, como saúde, educação e mobilidade, e não dá para transferir para Belo Horizonte ou Brasília a implementação desses projetos. Até mesmo segurança, em princípio de competência do Estado e da União, pode ser trazida para o foco local, como apontou o professor André Gaio, em entrevista à Tribuna, quando lançou um novo olhar sobre a segurança pública.
Enquanto os dirigentes nacionais fazem dos municípios os seus espaços de experiência, os candidatos a prefeito e a vereador não podem perder o foco local, pois ele, sim, será o ponto de partida para a opção do eleitor.



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