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02 de Julho de 2014 - 06:00

Partidos fazem acordos, e fim das convenções confirma a distância do interesse coletivo

Por Tribuna

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Ao avaliar o cenário político resultante das convenções, o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, fez uma observação emblemática. O eleitor, salvo aquele que é filiado ao partido e tem, portanto, um engajamento ideológico, não está preocupado com as alianças formadas nos últimos dias, nas quais há de tudo, menos identidade. Os partidos agem de acordo com suas conveniências, pensando, principalmente, no tempo de televisão, que é vital na campanha.

A despeito de sua observação ter procedência, é necessário discutir esse simplismo político que leva a tais acordos. À esquerda, à direita ou ao centro, as legendas - salvo aquelas extremamente ideológicas, como PSOL e PSTU - já não têm mais o velho pudor de se ligar a velhos adversários. O resultado é um sistema político frágil, incapaz de dar ao eleitor a garantia que ele espera ao apostar nos seus candidatos.

Os três principais postulantes à Presidência da República fizeram acordos que, em condições normais de temperatura e pressão, jamais seriam fechados. A presidente Dilma, que pegou em armas para ter um país melhor, é forçada pelas circunstâncias a ter no seu palanque atores que, em outros tempos, iria combater.

No Rio, Aécio Neves aceita a parceria do PMDB de Jorge Picciani, enquanto Eduardo Campos cede alguns de seus quadros para compor, inclusive, com os tucanos, como é o caso de São Paulo. Essa situação, que ocorre sem traumas graças à solidez democrática, vai continuar por conta da inação do Congresso Nacional. Embora, todos os anos, haja discurso nesse sentido, a reforma política tornou-se uma peça de ficção. Afinal, por que mudar se todos estão se dando bem?

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