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19 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Moradores vão às ruas para demonstrar que o direito de ir e vir é uma conquista e que não pode ser impedido por grupos

Por Tribuna

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Moradores da Zona Norte, especialmente dos bairros São Judas Tadeu e Benfica, fizeram uma manifestação contra a violência, no último sábado, demonstrando que a comunidade rejeita plenamente o apartheid que se estabeleceu em algumas regiões, decretado por gangues. As comunidades, com justa razão, apontaram para o direito constitucional de ir e vir e, mais do que isso, que entre eles não há fronteiras delimitando os caminhos que devem ser trilhados. Hoje, boa parte das ocorrências é resultado desse embate de consequências graves. Jovens e adolescentes, sobretudo estes, quando avançam os limites, são penalizados com agressões.

Por conta dessa situação, os próprios moradores sugeriram o cancelamento de eventos carnavalescos em Benfica - a despeito de toda a tradição -, por temerem os comuns enfrentamentos. As galeras, na tentativa de marcar território, já teriam encontro marcado, ampliando sua intolerância com pessoas inocentes. Há casos recentes de vítimas até fatais, que perderam a vida por estarem no lugar e hora errados, atingidas por tiros, a esmo, deflagrados por incautos que não medem consequências.

Por trás de tudo estão as drogas e a facilidade para aquisição de armas. Os confrontos são cada vez mais frequentes, e o uso de revólveres tornou-se uma rotina. Embora não haja números formais, fica claro que o derrame foi expressivo, tal o volume de ocorrências em que os autores estavam armados. Qualquer embate, hoje, se resolve no tiro. Enquanto isso, o Governo do estado, mesmo diante de tantos apelos da população, ainda mantém bairros de Juiz de Fora afastados do programa "Fica vivo", cuja meta principal é a redução de homicídios.

Na última segunda-feira, o governador Antonio Anastasia, que dias antes ouviu os pleitos da cidade, por meio de abaixo-assinado encabeçado pelo prefeito Bruno Siqueira, anunciou uma série de investimentos na segurança. A cidade, certamente, será beneficiada, mas o programa próprio de combate aos crimes consumados contra a vida só foi liberado para regiões conflagradas de Belo Horizonte, Uberlândia, Governador Valadares e Betim. A Zona Norte de Juiz de Fora, com dez mortes em menos de um mês e meio, não poderia ficar de fora.

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