Uma das fragilidades do sistema penal brasileiro é a certeza de impunidade que alguns segmentos têm, o que lhes permite agir à revelia da lei e, ainda, dando-se ao luxo de ameaçar os operadores do direito. Há juízes e promotores ameaçados em todo o país em função, única e exclusivamente, de cumprirem suas obrigações. O caso mais recente é de um juiz federal, que pediu para se afastar das investigações em torno do contraventor Carlinhos Cachoeira, depois de ele e sua família terem sido avisados de que corriam riscos.
O homem que provocou a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso não é um simples banqueiro de caça-níqueis. Pelos primeiros passos das investigações, especialmente da Polícia Federal, já deu mostras de ser bem mais poderoso, com muitos contatos e negócios em outras regiões da Federação. Ele pode não ter movido um só dedo, mas o que foi dito ao juiz é fruto de parceiros que por ele se incomodam e tentam inibir a ação da Justiça.
O Poder Judiciário está certo em se indignar, mas seria fundamental que os deputados e senadores também tivessem o mesmo sentimento, em vez de ficar se digladiando em defesa dos seus negócios e deixando o principal em segundo plano. Afinal, quando se ameaça um representante da Justiça, ela não se esgota nesse poder, sendo uma ofensa direta à própria sociedade. O que a CPMI apresentou até agora foram medidas protelatórias, mais de proteção do que de investigação de interesses. Enquanto isso, quem age sério, em nome da sociedade, vive o drama de ter seu direito ao trabalho cerceado.



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