Nos oito anos de seu governo, o ex-presidente Lula enfrentou apenas greves pontuais, mesmo assim, de curta duração, já que tinha as centrais sindicais como aliadas. Com a experiência de líder sindical, um dos primeiros passos do ex-presidente foi trazê-las para a sua base. Para tanto, fez concessões que não se repetem na gestão da presidente Dilma. A nova postura leva o país a um cenário de paralisações em diversas frentes. Em Juiz de Fora, quase três mil servidores federais estão de braços cruzados à espera de uma solução que pode ser vislumbrada a partir da semana que vem, quando devem ser reabertas as negociações. Como tem prazo até o dia 31 para fechar o orçamento de 2013, a área econômica admite fazer ajustes nas contas para atender a nova demanda.
Ao cooptar as centrais, o ex-presidente teve um período de tranquilidade, mas gerou, ao olhar do governo que o sucedeu, uma conta que só agora está sendo cobrada, já que ficaram represadas. Mas não vale reclamar, pois a gestão, de uma certa forma, é a mesma. A presidente que ora faz jogo duro com os grevistas é a mesma que tinha o poder de gestão no mandato de Lula. Tudo passava pelo seu crivo, sobretudo entendimentos que envolvessem o funcionalismo público.
A intransigência dos dois lados, no entanto, não afeta as partes, e sim o público. O sistema de transportes, principalmente nas rodovias do eixo Rio-São Paulo, tornou-se caótico, já que policiais rodoviários fizeram bloqueios pontuais enquanto os caminhoneiros - já esquecido que há duas semanas eram eles que fechavam as estradas - fizeram protesto contra as ações dos agentes. Os aeroportos também pagaram a conta, com atrasos no desembaraço dos viajantes que dependiam de avaliação das autoridades alfandegárias. Os grevistas, porém, como registram os próprios fatos, sabem que o Governo só negocia quando a rua clama por solução. E é por esta aposta que esperam conversar com Brasília.



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