Os primeiros gestos dos governantes, sobretudo no município, onde o eleitor tem meios de acompanhá-los de perto, são medidas de impacto. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, os empossados no dia 1º anunciaram uma série de medidas para dar um rumo às suas administrações. Uns, com cortes de gastos; outros, com medidas imediatas, a fim de marcar a diferença com o antecessor. Em Juiz de Fora não deve ser diferente. Ao passar o primeiro dia reunido com sua equipe até o fim da noite de ontem, mesmo tendo sido o dia da posse, o prefeito Bruno Siqueira anunciou a cada um dos secretários - em conversas individuais - o que espera deles.
O gesto é correto, pois há uma grande expectativa em torno do mandato inaugurado no primeiro dia do ano, uma vez que chegou à Prefeitura sob o signo da mudança. Quando encerrou um ciclo de 30 anos de revezamento entre três prefeitos e comprou o discurso do novo, a cidade também fez uma aposta. Agora começa o jogo. Pelas suas primeiras declarações e atitudes, o prefeito dá mostras de que vai à luta, quebrando rotinas e mudando o estilo.
A grande dificuldade dos prefeitos, porém, não se situa necessariamente na instância administrativa. A centralização dos recursos no Governo federal fez dos prefeitos e governadores reféns dos humores do Planalto. Agora mesmo, os estados estão brigando para rever suas contas, já que todos eles estão com dificuldade de caixa. Os municípios passam pela mesma situação. A Confederação Nacional dos Municípios tem feito marchas sistemáticas a Brasília, cobrando melhores recursos, sob o risco de ter municípios inadimplentes, sem meios de tocar suas prefeituras.
Logo após a proclamação dos resultados, o então deputado Bruno Siqueira percorreu gabinetes de Belo Horizonte e de Brasília atrás de recursos. E não dá para ser diferente. A arrecadação própria do município, embutida em tributos como IPTU e ISS e em repasses como o Fundo de Participação, é pouca para atender à demanda ascendente de uma cidade do porte de Juiz de Fora.



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