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28 de Junho de 2014 - 06:00

Formação dos palanques foge à lógica ideológica; os acordos são forjados pelas conveniências

Por Tribuna

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Alvo de crítica dos próprios parlamentares, mas nem por isso mudada no Congresso Nacional, a legislação brasileira permite situações inusitadas tendo no Rio de Janeiro o caso típico dessa desorganização. O PMDB, oficialmente, vai apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff, mas oficiosamente estará no palanque do tucano Aécio Neves. Para o Senado, o acordo envolve o ex-prefeito César Maia, do DEM. Em outro palanque, o petista Lindbergh Farias terá como candidato ao Senado o socialista Romário, ligado ao presidenciável Eduardo Campos. Se vivo, Stanislaw Ponte Preta veria a consagração na política do seu samba do crioulo doido.

Em Minas, o quadro finalmente se consolidou sem as distorções do estado vizinho, embora haja suas dissidências. O PP do governador Alberto Pinto Coelho vai apoiar o PT de Dilma Rousseff, mas ele e seus seguidores são Aécio de carteirinha, aliás, por ele indicados para ocupar, hoje, a administração do estado.

É nesse cenário que se insere a recém-chegada candidatura a governador do ex-prefeito Tarcísio Delgado. O PSB, partido ao qual se filiou no ano passado, passou parte do mandato integrando a administração tucana e dela não se afastou de todo. Um dos dilemas da legenda até chegar ao projeto da candidatura própria era indicar um nome para a disputa ou coligar-se com o PSDB. Venceu a primeira proposta, mas e no segundo turno? A despeito de pessoalmente não ter críticas ao senador Aécio Neves, o ex-prefeito é um duro crítico dos tucanos, com opção preferencial pela presidente Dilma, mas também com restrições ao PT.

Seu próximo passo, no entanto, será determinado pelas regras do jogo. Há muito, a política brasileira tornou-se um evento para profissionais, no qual os acordos de Brasília nem sempre correspondem aos de Belo Horizonte, que às vezes passam longe dos municípios.

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