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09 de Abril de 2014 - 06:00

Políticos são atraídos a negócios pouco transparentes em função de financiamentos que são cobrados depois

Por Tribuna

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É de praxe dizer que todos são inocentes até que seja provado o contrário, como também é de direito a ampla defesa no duplo grau de jurisdição, mas os primeiros indícios já permitem afirmar que o deputado André Vargas, agora vice-presidente licenciado da Câmara Federal, foi vítima do mesmo mal que abateu o ex-senador Demóstenes Torres. Como o primeiro, ele era um homem de frente no combate aos ilícitos, duro nos discursos e sem meias palavras, inclusive com os seus. Quando a ministra da Comunicação Helena Chagas caiu, ele não poupou o verbo: "já vai tarde", indicando que foi um dos que colocaram fogo na fervura. Quando o ministro Joaquim Barbosa visitou o Congresso, não teve a menor preocupação com o decoro ao fazer o gesto do punho fechado à frente do presidente do STF.

Esse mesmo parlamentar, a exemplo de Demóstenes, caiu na armadilha das relações de poder. O ex-senador, um paladino da moralidade, era, nas horas vagas, um dos principais atores das articulações do bicheiro Carlinhos Cachoeira. O deputado, em uma amizade de 20 anos com o doleiro Alberto Youssef, foi pego no grampo da Polícia Federal discutindo sua independência financeira. O próprio Partido dos Trabalhadores articulou sua licença e, dependendo dos desdobramentos, vai sugerir a sua renúncia, que pode causar danos à legenda em pleno ano eleitoral, caso ele insista em manter o mandato. O ex-presidente Lula já disse que ele tem que se explicar para não atrapalhar o partido.

O deputado não será o último a ter esse tipo de articulação. O próprio sistema político brasileiro, com o financiamento de empresas aos candidatos, induz a esse tipo de comportamento. Pelo respaldo financeiro, os políticos são obrigados a prestar serviços, fazendo o papel de despachantes em vez de parlamentares de fato. As mudanças em discussão não saem do papel, ficando para o STF - de novo - a decisão de restringir o financiamento, já que Câmara e Senado, depois de tantas idas e vindas, não ousaram elaborar novas regras.

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