Publicidade

10 de Maio de 2014 - 06:00

Adolescentes em conflito com a lei não recebem programas de recuperação, ficando à mercê da própria sorte; um risco para a sociedade

Por Tribuna

Compartilhar
 

Diz o ditado popular que mente vazia é oficina do diabo, o que dá margem para se questionar a situação do Centro Socioeducativo de Juiz de Fora, com capacidade para abrigar 62 adolescentes, mas já contando com mais de 80. Pior do que isso, vários programas de socialização estão parados, deixando-os à mercê da própria sorte. Sem nada para fazer e com uma convivência marcada por problemas, em vez de se recuperarem, trocam experiência de suas mazelas. De acordo com reportagem da Tribuna, na edição de ontem, sem camas, os adolescentes em conflito com a lei são obrigados a dormir em colchões no chão dos alojamentos, e pelo menos cinco dormem também na enfermaria.

Há quem considere que pessoas com esse perfil devam receber tratamento duro, pois mereceram, mas o resultado desse enredo tem fins graves para a própria sociedade. Quando não há programas de recuperação, ou quando estes funcionam de forma precária - como o de Juiz de Fora -, os riscos para a população são maiores, pois, ao saírem, esses jovens estarão, sim, prontos para uma carreira de crimes, em vez de estarem aptos a reingressarem no meio social. O país peca nesse aspecto. Ao não investir na socialização, cria tal passivo social. Ante as indagações, as autoridades adotam o discurso recorrente de já estarem tomando providências.

A política carcerária no país é um problema constante, pois não dá margem, sequer, para aqueles presos comuns que teriam possibilidade de ser recuperados. Misturados com internos com grau de periculosidade, não têm a menor chance. Ainda nos anos 1980, o juiz da Vara Criminal de Juiz de Fora João Sidney Afonso classificou o Ceresp, recém-inaugurado, de sucursal do inferno e universidade do crime. Seu comentário está atualizado. Na ausência de programas, com celas superlotadas e profissionais desmotivados por falta de apoio, não há o que esperar.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que a Justiça agiu corretamente ao permitir, por habeas-corpus, a soltura dos ativistas presos durante a Copa?