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08 de Maio de 2014 - 06:00

Boatos podem tornar-se um grande transtorno, com danos irreversíveis, como a morte de uma dona de casa no litoral de São Paulo

Por Tribuna

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Os boatos, na rede mundial conhecidos como "hoaxes", ocorrem desde o início da internet, mas nem por isso devem ser desconsiderados. O recente episódio em que uma mulher foi linchada no Guarujá (SP), sob a suspeita de sequestrar crianças para magia negra, é algo extremamente grave para passar batido, como se nada tivesse ocorrido ou não houvesse responsáveis. Embora o território seja livre, seria fundamental a possibilidade de se apurar responsabilidades para evitar que novos casos venham a ocorrer. Espalhar notícia falsa, lamentavelmente, é um gesto corriqueiro, que tem vários adeptos pelo mundo afora e até mesmo aqueles que fazem disso uma missão. Como a opinião pública não usa filtros adequados, o que poderia ser uma brincadeira, ou uma intriga, tornou-se uma tragédia.

O boato não se esgota em si mesmo. O problema está no compartilhamento, que se tornou comum, sobretudo por aqueles que não se preocupam, nem por um momento, em aferir a sua veracidade. Simplesmente ampliam a sua repercussão num clique que pode comprometer biografias e vidas, como foi o caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus. Tudo começou num retrato falado divulgado pela polícia, em 2012, espalhado por um site que já cometeu outras mazelas e não tomou jeito. E quem devolve essa vida?

Em entrevista à Tribuna, o cientista político Paulo Roberto Figueira, da Faculdade de Comunicação da UFJF, advertiu para a proliferação dos boatos. Se na vida comum eles ocorrem desde sempre, na internet a diferença é a velocidade e o espaço de propagação. Por conta disso, "os internautas deveriam desenvolver a boa prática do ceticismo e da checagem, por meio de outras fontes, antes de admitir algo como verdadeiro". Ainda no seu entendimento, "a rede é um bom ponto de chegada para quem quer fazer bom jornalismo. No mundo analógico, assim como no digital, continua valendo a máxima de que apurar, checar e reconfirmar são os únicos instrumentos de que dispomos - como jornalistas ou cidadãos - para diminuir o risco de tomar decisões equivocadas".

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