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16 de Março de 2014 - 06:00

Partidos enquadram governantes, exigindo cargos e vantagens para assegurar apoio

Por Tribuna

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Por absoluta falta de interesse das partes, o país não faz uma reforma capaz de dar fim ao balcão de negócios que se estabeleceu na política, no qual o Executivo, embora dono do poder de agenda, se submete a interesses pouco republicanos de partidos. A presidente Dilma Rousseff, desde o final do ano passado, não faz outra coisa a não ser buscar meios de contemplar os aliados na estrutura de poder sem, no entanto, agradar a todos, especialmente ao PMDB, o mais poderoso deles e também com maiores interesses. Seu último ato foi trocar seis ministros, dando mais duas pastas ao partido. Mas tal cessão não indica o fim da crise.

Segundo os dissidentes, os indicados não representam a bancada na Câmara, resultando disso um cenário semelhante ao da semana passada. O partido cresce na Esplanada dos Ministérios e já tem o vice-presidente da República, mas continua insatisfeito. Aonde isso vai chegar ninguém sabe, embora as apostas sejam de blefe, como num jogo de pôquer, no qual os deputados pagam para ver, mesmo não tendo boas cartas nas mãos.

A pressão peemedebista não é inédita. Quando presidente da República, o tucano Fernando Henrique cedeu os anéis para não perder os dedos. Fez o mesmo quando colocou em pauta o projeto da reeleição. O ex-presidente Lula, com mais jogo de cintura, também passou por situação semelhante. Enquanto não mudarem as regras, o jogo vai continuar, e não apenas em Brasília, tendo gerado clones nos estados e municípios, nos quais - respeitadas as proporções - governadores e prefeitos também são obrigados a barganhar para levar seus projetos adiante.

Nesse jogo, a ideologia passa longe.

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