A semana que termina já na quarta-feira, em função do feriado prolongado, não deve ser calmante para a turbulência que marca o debate político tanto em Brasília quanto em Juiz de Fora. No Congresso, os palavrões do deputado Sílvio Costa (PTB-PE) contra o senador Demóstenes Torres (sem partido), com sobra até para o senador Pedro Taques (PDT-MT), que fez apenas um aparte, indicam os nervos à flor da pele numa questão acompanhada pela opinião pública. Mesmo assim, há suspeitas de manobras para livrar a cara do parlamentar goiano com o expediente do quórum, isto é, no dia da votação, diversos parlamentares se ausentariam do plenário para não dar número para a condenação. Seria gasolina no fogo. Demóstenes é réu confesso em diversos pontos, e sua absolvição seria um novo desgaste para o Congresso, já com imagem arranhada por outros episódios.
Em Juiz de Fora, a questão se fecha principalmente no PMDB. O partido, se não houver mudanças de agenda, faz reunião na terça-feira para definir a pauta de sua convenção do próximo domingo, mas há indicativos de que durante esta semana muitas conversas ainda poderão acontecer. A legenda vive o impasse entre a candidatura própria e uma eventual aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT). Os convencionais vão dizer para que lado vai pender o partido nas eleições de outubro.
Eleições municipais têm uma cultura própria, na qual as paixões afloram com maior ênfase. Enquanto, nos pleitos nacionais, as discussões se encerram nos gabinetes de Brasília ou nas capitais, o embate municipal mobiliza tanto os atores quanto a plateia, o que o torna não só fascinante e envolvente, mas também facilitador de ações perigosas. Em algumas regiões - o que não é o caso de Juiz de Fora -, há até riscos de violência, tal o jogo de poder das pequenas comarcas, nas quais a discussão se dá pelo viés maniqueísta, não havendo espaço para o meio-termo.
A Justiça Eleitoral já orientou seus magistrados a ficarem atentos, para evitar problemas dessa ordem, mas, nessa fase, as questões são internas, e o enfrentamento dos grupos pode ser, inclusive, um motivador para o ciclo de campanha, quando o adversário é o outro.



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