A falta de planejamento urbano já compromete a qualidade de vida em Juiz de Fora. Conforme reportagem da Tribuna nesta edição, a violência não é o único problema que afeta as oito regiões onde foram instalados empreendimentos do programa habitacional "Minha casa, minha vida".
Além das frequentes brigas de gangues, a população sofre com falta de vagas nas escolas e de condições de atendimento nos postos de saúde próximos, inexistência de áreas de lazer, entre outros problemas de infraestrutura. Pior, nem a coleta de lixo e a oferta de transporte coletivo dão conta da nova demanda, pois não foram devidamente equacionadas para tal.
Afinal, são mais de duas mil famílias abrigadas em nove empreendimentos entregues entre 2011 e 2012, sem a devida contrapartida estrutural da Prefeitura, embora a adequação dos equipamentos públicos fosse pré-requisito obrigatório para os condomínios do programa serem erguidos. Só agora a Administração está avaliando a necessidade de melhorias dos serviços básicos nas regiões afetadas.
Há ainda o lado dos moradores antigos do entorno, que enfrentam desvalorização de seus imóveis, em função da violência crescente, e transtornos para usar serviços básicos, sobrecarregados pelo adensamento de moradores.
Não se trata de deixar lacunas no acesso da população de baixa renda à casa própria, muito pelo contrário. O Executivo sinalizou a intenção de impedir novos loteamentos de grande porte. É um primeiro passo, mas não basta. O crescimento da cidade é inevitável, e é urgente pensá-lo. O que importa é crescer com qualidade, o que só é possível com a criação e a defesa intransigente de políticas públicas de planejamento urbano.



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