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04 de Junho de 2014 - 06:00

Brasileiro, porém, está insatisfeito com as promessas não cumpridas nas obras fora dos estádios

Por Tribuna

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Faltando apenas uma semana para o início da competição, pesquisa do Ibope, divulgada na última segunda-feira, mostrou que 51% da população brasileira são a favor da realização da Copa do Mundo no país. Os que são contra o evento totalizam 42%. O que chama a atenção é que, na véspera de a bola rolar, os números são piores do que em fevereiro, quando 58% eram a favor e somente 38% eram contra. Mas ficar apenas nesses números é temerário, pois a estratificação da pesquisa apresenta outros dados, como a expectativa dos brasileiros: 71% dizem querer que a Copa dê certo, contra somente 11% que apostam no seu fracasso. Os indiferentes somam 14%.

As primeiras leituras indicam que a rejeição não se prende à competição em si, pois o país pentacampeão do mundo tem vocação esportiva, sobretudo no futebol, mas há, de fato, um generalizado descontentamento não só com o que foi gasto - e gastou-se acima de todas as expectativas - mas também com o modo como a Fifa lidou com a competição. O board da Federação Internacional atuou com grande autonomia, a ponto de intervir em pontos críticos, como os custos dos ingressos, bem acima do padrão nacional, a fobia com direitos autorais, impedindo até o uso das palavras pagode e Copa do Mundo. Foi além da soberania.

De fato, porém, foram os gastos com a construção dos estádios e a não conclusão das obras fora deles, sobretudo nos transportes, que tiraram o brasileiro do sério. A Fifa tem o discurso do legado, indicando que a população iria se beneficiar não apenas com arenas modernas mas também com obras de mobilidade capazes de superar atrasos de anos. Só que não é bem assim: há atrasos consideráveis, os aeroportos mantêm o padrão de má qualidade, e o transporte público continua precário, uma vez que o prometido não foi entregue. O brasileiro, ao contrário do que disse o ex-presidente Lula - ser babaca ao exigir metrô até a porta dos estádios -, apenas cobra a conta do que lhe foi vendido desde 2007, quando o país ganhou o direito de sediar a competição.

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